A Assembleia Legislativa da Bahia entregou na última sexta-feira, às 10h, no plenário da Casa, a Comenda 2 de Julho, a mais importante condecoração oferecida pelo Legislativo. De acordo com o proponente da solenidade, deputado Marcelino Galo (PT), a honraria ao ex-ministro justifica-se por suas contribuições à Bahia na luta ambientalista e cultural, na defesa da democracia e contra as desigualdades sociais. “Ativista, militante, gestor público e formulador de políticas públicas, Juca é parte importante da história da luta ambientalista e da cultura na Bahia e no Brasil”, justificou o deputado petista.
Antes da solenidade, aconteceram apresentações do Balé Jovem de Salvador, da escola de dança da Ufba e a fanfarra Mestre Mário executou canções de festas populares da região do recôncavo baiano. Em seguida, Juca Ferreira foi conduzido ao Plenário por deputados e foi formada e mesa de trabalho, composta por autoridades e militantes ambientalistas e da cultura.
Marcelino Galo fez seu pronunciamento exaltando a figura do homenageado, lembrando que ele foi um militante da esquerda armada no enfrentamento à ditadura militar e que hoje produz um trabalho intelectual para mudar as consciências, o que vem contribuindo de forma importante para o processo civilizatório brasileiro. “Juca Ferreira fez parte de tudo que ocorreu de mais pulsante e ousado na cultura brasileira desde Getúlio Vargas”, afirmou o petista.
Marcelino lembrou que quando estava a frente do Ministério da Cultura, Juca Ferreira promoveu uma descentralização de recursos e que, de imediato, o então ministro foi acusado de dirigismo cultural. “Quando os recursos eram concentrados nas mãos de poucos nunca houve reclamação. O cinismo é um legado cultural da elite brasileira”, disse Galo.
Após receber a condecoração, Juca Ferreira fez seu discurso de agradecimento lembrando que alguns dos convidados presentes foram companheiros de muitas histórias e batalhas culturais. Ele agradeceu à Assembleia Legislativa, e em especial ao deputado Marcelino Galo pela homenagem, ressaltando que em tempos que a atividade política está tão desgastada é raro que se reconheça o trabalho de um político. “Uma homenagem dessa me dá mais força para continuar lutando pelas coisas que acredito”, disse Juca Ferreira.
Bastante emocionado, Juca Ferreira lembrou os 20 anos que passou preso, clandestino e exilado, interrompendo o discurso várias vezes e sendo muito aplaudido. “Na volta poderia ir para São Paulo, Rio de Janeiro ou Bahia. Escolhi a Bahia e me reencantei. Quando passo um tempo fora sinto muita saudade. Tenho que confessar que tenho saudade até da “esculhambação” do baiano, de como as vezes não fica claro os limites da individualidade”, disse o homenageado.
Além de ministro de Estado, Juca Ferreira foi secretário de Meio Ambiente e vereador de Salvador, membro do Conselho Estadual do Meio Ambiente e assessor da Fundação Cultural do Estado. Também é cofundador do Movimento SOS Chapada Diamantina. Tem papel de destaque defesa da democracia e contra as desigualdades sociais, participando, inclusive, da construção do Projeto Axé no início da década de 1990, em Salvador, ao lado do italiano Cesare de Florio La Rocca.
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