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Edson Pimenta lamenta a morte do jornalista Pedro Augusto

Publicado em: 09/01/2006 21:17
Editoria: Diário Oficial

No documento apresentado na AL, o deputado comunista destaca as qualidades pessoas e profissionais...
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O falecimento do jornalista Pedro Augusto Pereira da Silva, morto por afogamento na Praia de Stella Maris na manhã do último sábado, aos 54 anos, foi lamentado na Assembléia Legislativa pelo deputado Edson Pimenta (PCdoB) através de moção de pesar. No documento, já protocolado na Secretaria Geral da Mesa, o parlamentar historia a rica trajetória profissional, pessoal, sindical e a militância política iniciada em 1976, quando Pedrão, como era carinhosamente conhecido, ingressou na Escola de Biblioteconomia e Comunicação da Universidade Federal da Bahia.

Pimenta foi um dos primeiros a chegar ao local do falecimento, pois participava de reunião da Federação dos Trabalhadores da Agricultura (Fetag) realizada nas proximidades. O deputado se desdobrou na solidariedade a seus familiares e recheou com emoção o documento que elaborou, utilizando-se no início dos seguintes versos de Rubem Alves: "O tempo perdido não pode ser recuperado. Sua beleza só pode ser vivida como ausência: a beleza dói...Magia é isto: invocar o que se foi, mas que continua a nos habitar. Ou será poesia?".

BELEZA

Para o parlamentar, esta frase acima poderia soar para Pedro como um antagonismo, pois "o camarada vinha recuperando o tempo perdido, lutando contra todos os percalços que a vida colocou no seu caminho, ao mesmo tempo em que expressa em única palavra o que ele representou para nós durante a nossa convivência: Beleza". E continuou: "Pedro era belo em seu jeito de ser, de tratar e lidar com as palavras, empregando-as em seus textos de forma clara e objetiva, legado adquirido na intensa e brilhante carreira profissional".

Em seguida, Edson Pimenta traçou uma breve biografia profissional do amigo, que nasceu em Iguaí. "Em 1976, ele começou a estudar jornalismo, integrando o movimento estudantil que fazia oposição à ditadura militar", relatou, lembrando a participação de Pedro Augusto na reconstrução da União Nacional dos Estudantes (UNE), no Congresso de 1979, em Salvador, e no diretório estudantil de sua faculdade.

Formado, prosseguiu Pimenta, ele trabalhou como editor na Tribuna da Bahia, chefiou a revisão em A Tarde e foi secretário da redação do extinto Jornal da Bahia. Paralelo a esta atividade, era filiado ao Partido Comunista do Brasil desde 1978, foi diretor do Sindicato dos Jornalistas Profissionais da Bahia, Sinjorba, além de ter atuado incessantemente nas atividades políticas e administrativas do diretório estadual do PCdoB. No primeiro mandato do prefeito Luiz Caetano (PT), em Camaçari, Pedro foi seu secretário de Comunicação, acrescentou o deputado.

Atualmente, Pedro Augusto prestava assessoria a "sindicatos e mandatos parlamentares do PCdoB e um desses mandatos era o meu", frisou Edson Pimenta, que teve "honra e orgulho" de haver contado com a presença do jornalista em sua equipe de trabalho no Legislativo. O autor da moção disse ainda que nos últimos 25 anos Pedro Augusto marcou o jornalismo e a política baiana e "a privação do seu convívio será eivada de saudades e boas lembranças do seu jeito doce, tranqüilo e otimista".

No final da moção, o deputado comunista solidarizou-se ainda com a sua esposa e fiel companheira, Neide Dourado, com as ex-companheiras Socorro e Neta, com os seus três filhos, Tiago, Mariana e Juliana, além de citar seus três netos e cinco irmãos. "Desta forma, a realidade nos impõe a ausência de Pedro do B, como carinhosamente também o chamávamos, restando o conforto das belas lembranças de um homem corajoso e ao mesmo tempo frágil e carinhoso, um verdadeiro exemplo para os profissionais da área jornalística". E Edson Pimenta despediu-se com a canção-homenagem entoada momentos antes do corpo baixar à sepultura:

"Amigo é coisa para se guardar

do lado esquerdo do peito, dentro do coração

Assim falava a canção que na América ouvi

Mas quem cantava chorou ao ver seu amigo partir...",

da Canção da América, música de Milton Nascimento e letra de Fernando Brant.



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