"A prática de pagamento de gratificações torna o delegado de polícia refém das autoridades políticas do estado". A denúncia é do deputado Sargento Isidório (PSC), que apresentou uma indicação ao governador Paulo Souto, solicitando que ele acabe com este sistema "perverso, falso e alienante". Segundo o parlamentar, em muitos casos, as gratificações são maiores do que os próprios salários dos delegados.
Para Sargento Isidório, é urgente a isonomia salarial, equiparando os salários dos delegados aos das demais autoridades que possuem o mesmo nível de formação ? juízes, promotores, defensores públicos, dentre outros. Ele lembrou que, desde o início de 2005, os quase mil delegados que atuam na Bahia vêm se mobilizando de maneira ordeira e legal para reivindicar os seus direitos e melhorias salariais.
"Os delegados de polícia da Bahia recebem os piores salários do país", informou ele no documento já protocolado na Mesa Diretora da Assembléia Legislativa. Na avaliação do parlamentar, isso é "um absurdo", tendo em vista que a Bahia possui hoje um dos maiores PIB do Brasil. Sargento Isidório lembrou que, para se tornarem delegados, esses profissionais passam por cursos médios, superiores de Direito, mestrados e até doutorados. "Tudo isso para servir melhor à sociedade, na expectativa de também serem reconhecidos com salários e tratamentos dignos para manterem suas famílias", destaca o parlamentar.
Isidório lembrou ainda que, além do risco constante de morte, os delegados precisam ter preparo para atuar como psicólogo e apaziguador dos conflitos sociais, o que aumenta consideravelmente a carga de responsabilidades. "Em suas delegacias, eles são obrigados a agir sempre no primeiro plano, como se fossem promotores, defensores públicos e até juízes, o que fazem com muita competência na defesa da sociedade", elogiou.
De acordo com o autor da proposição, além dos baixos salários, perdendo até para as remunerações pagas no Piauí, os delegados estão sujeitos a "péssimas e indignas" condições de trabalho. Isidório denunciou que muitos políticos aproveitam a lacuna deixada pelo Estado no que tange à manutenção da estrutura de segurança pública e doam materiais de apoio para o funcionamento das delegacias e viaturas. "Em contrapartida, a maioria julga-se dona ou chefe imediato das autoridades policiais", concluiu o deputado.
REDES SOCIAIS