Foi lançado ontem, dia 12, no Saguão Deputado Nestor Duarte, da Assembleia Legislativa, o livro “Memórias de um Capoeira” mais uma edição realizada pelo projeto Assembleia Cultural. O livro é um relato autobiográfico de Aristides Pupo Mercês, o Mestre Aristides, que começou na arte ainda menino aos 14 anos. “Estas memórias transcendem ao pessoal, revelando muito da história e do conhecimento da capoeira, constituindo-se em fonte de pesquisa para estudiosos e deleite dos praticantes e admiradores da capoeira”, afirmou a jornalista Gilka Bandeira que fez o prefácio do livro.
O evento começou com uma roda de capoeira, acompanhada por uma “orquestra de berimbaus” e pelas palmas dos convidados. Em seguida, Mestre Aristides, que é funcionário da Casa na função de professor de ginástica laboral e capoeira, foi convidado a falar sobre o seu livro. Ele afirmou que a obra está pronta há 12 anos, mas que só pode ser editada após contato do autor com os responsáveis pelo projeto Assembleia Cultural. “Estou em estado de êxtase. É um sentimento de realização, uma felicidade sem conta. Espero que os leitores se identifiquem com a minha história”, afirmou Aristides Mercês.
Já o assessor Para Assuntos de Cultura, professor Délio Pinheiro, contou que no final da década de 70 o seu filho pediu para fazer uma atividade esportiva e foi-lhe dito por amigos que se o objetivo era que a criança aprendesse arte, cultura e disciplina que o melhor seria a capoeira. “Procurei a Associação de Capoeira Arte e Luta, a qual Mestre Aristides é até hoje presidente, e coloquei meu filho para aprender capoeira. “Devo ao mestre Aristides e à capoeira parte do que meu filho é hoje. Aristides faz da capoeira não apenas uma atividade de luta, mas um processo educativo, cultural e terapêutico”, afirmou Délio Pinheiro.
No livro, Mestre Aristides conta sua luta para sobreviver da capoeira e, depois, para criar a Federação Baiana de Capoeira. Ele também foi um dos maiores defensores de uma política nacional de valorização da capoeira, que culminou com seu tombamento como patrimônio cultural do Brasil. É dele também projeto de inclusão da capoeira como matéria curricular das escolas públicas do estado. “Durante este percurso, a capoeira se apresentou para mim de várias maneiras, provando que a alma de um capoeirista está eternizada na humildade e simplicidade de seus atos e no seu modo de ver a vida”, afirmou ele, agradecendo “a Deus por ter tido a oportunidade de trilhar todos esses caminhos com um sucesso que me satisfaz. Portanto, sinto-me realizado”.
O programa editorial da Assembleia se revelou uma útil ferramenta de marketing cultural, cuja execução rendeu nos últimos anos o resgate de publicações importantes fora dos catálogos há décadas. Livros significativos encontrados unicamente em bibliotecas particulares ou sebos foram relançados através do programa, assim como obras importantes foram apresentadas às novas gerações graças à iniciativa.
REDES SOCIAIS