A luta de uma professora, na década de 1950, para criar e conservar a Biblioteca Infantil Monteiro Lobato é o tema do próximo livro a ser lançado pela Assembleia Legislativa, através da coleção Gente da Bahia. Denise Tavares – a fada dos livros é o nome da obra escrita pela jornalista Aurora Vasconcelos em parceria com o publicitário e professor de ciências humanas, Fabiano Viana Oliveira. O lançamento acontecerá hoje, a partir das 17h, na própria biblioteca criada pela biografada.
“Denise Tavares dirigiu a biblioteca durante 24 anos, enfrentando o descaso das autoridades e a hostilidade de rivais e desafetos, insatisfeitos com o que considerava um desperdício: uma biblioteca inteira voltada para crianças”, observou os autores, na introdução do livro.
Ainda segundo a publicação, quando inaugurou a biblioteca, a professora tinha apenas 21 anos e muita determinação. “O desejo de criar uma sala de leituras para crianças, onde ricos e pobres, brancos e negros pudessem sentar-se lado a lado para ultrapassar a fronteira que os separavam, unindo-se no aprendizado, no riso e na descoberta de novos mundos, vinha de sua infância de menina pobre do interior baiano”, acrescentaram.
Hoje, 64 anos após ter sido criada, a biblioteca funciona no mesmo lugar, em Nazaré. E segue recebendo crianças e adolescentes de escolas públicas e particulares para tardes, com apresentações de marionetes e de teatro, aulas de canto e sessões da Hora do Conto, nas quais ouvem histórias infantis contadas por especialistas.
“A BIML é fruto de uma mulher incansável, à frente do seu tempo, que via nos livros um papel de relevância para a educação do jovem baiano”, acredita a jornalista Aurora Vasconcelos. De acordo com ela, a professora Denise Tavares sofreu ataques passionais e virulentos por ter ousado, como mulher, se projetar na provinciana Salvador dos idos de 1940 e 1950, lutando por uma ideal, papel que era aceito pela sociedade apenas para os homens.
Para os autores do livro, Denise Tavares ainda vive na biblioteca. “Quem visita hoje a sala transformada em um pequeno museu que tem o seu nome não deixa de sentir sua forte presença”, acreditam, citando que isso acontece em tudo – do telefone às fotos, às cadeiras ao piso de linóleo verde. “Ao falar sobre ela, as pessoas que a conheceram se animam e a reverenciam”.
Mas, para isso, a professora que transformou a sua vida em uma missão para educar crianças através dos livros infantis, combateu a má vontade, o preconceito, o desinteresse e a ignorância para construir uma biblioteca que abrisse para a crianças a porta do conhecimento, da criatividade e do desenvolvimento pessoal.
BIOGRAFIA
Denise nasceu em 2 de maio de 1925, na cidade de Nazaré das Farinhas. Formou-se em professora primária em 1942. O diploma de biblioteconomia ela só obteve em 1958, pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) e depois de ter criado várias bibliotecas infantis no interior baiano, ter escrito livros sobre educação infantil e de já ser conhecida na Bahia e nacionalmente. “Sua vida pessoal foi cheia de percalços, que ela administrou com coragem até morrer de câncer, em 1974, aos 49 anos de idade”, afirmou Aurora.
O programa editorial da Assembleia se revelou uma útil ferramenta de marketing cultural, cuja execução rendeu nos últimos anos o resgate de publicações importantes fora dos catálogos há décadas. Livros significativos encontráveis unicamente em bibliotecas particulares ou sebos foram relançados através do programa, assim como obras importantes foram apresentadas às novas gerações graças a esse mecanismo.
Essa é a gênese da coleção Gente da Bahia formada por publicações autorais, sempre ilustradas com fotografias. Foi elaborado ainda um projeto gráfico para marcar essas publicações, conferindo unidade gráfica ao conjunto da obra, porém com flexibilidade para diferenciar um livro do outro. “Acredito que o Poder Legislativo da Bahia presta um serviço público significativo com esse trabalho e com uma produção editorial que supre grave lacuna no campo cultural”, escreveu o presidente da Assembleia, deputado Marcelo Nilo (PSL), no prefácio da obra.
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