Emiliano José destacou o caráter prestador de serviços, ao falar do espiritismo...
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A Assembléia Legislativa realizou sessão especial ontem para comemorar os 90 anos de fundação da Federação Espírita do Estado da Bahia (Feeb). A homenagem foi proposta pelo deputado Emiliano José (PT), atendendo a um pedido do deputado federal Luiz Bassuma (PT), que segue a doutrina espírita. "Peço desculpas pela pouca capacidade no entendimento da religião", disse Emiliano, logo no início do seu pronunciamento, explicando ter profunda simpatia e admiração pelo caráter prestador de serviços e de "doar-se à humanidade".
"Existem religiões muito corporativas", disse o parlamentar, explicando que lançava mão de uma expressão do meio sindical para qualificar aquelas sectárias, que pretendem ter o privilégio da verdade e tornam-se intolerantes e agressivas. Ele explicou que o espiritismo, por outro lado, é aberto e valoriza a razão e a ciência. "Isto me provoca um certo fascínio", observou, destacando ainda que "o grande milagre do povo brasileiro é o povo brasileiro", capaz de conviver com a pluralidade e a diversidade religiosa.
Emiliano fez um breve relato sobre a trajetória da Feeb, desde a fundação da União Espírita Bahiana, que deu origem à federação, em 1973. "A entidade representa a Bahia no Congresso Federativo Nacional da Federação Espírita Brasileira e na Comissão Regional Nordeste. São mais de 200 centros espíritas entre a capital e o interior", contabilizou, citando as áreas em que atua, a exemplo de trabalho com crianças e adolescentes e seus familiares, não só do ponto de vista da evangelização, mas assistencial nas áreas de educação e saúde.
O discurso do petista não deixou esquecida a história de Allan Kardek, o início do espiritismo no mundo e, particularmente na Bahia, citando nomes como o de José Petitinga e, mais recentemente, Divaldo Franco e José Medrado. "Quero assim homenagear todos e todas que, ao longo do tempo, contribuíram e contribuem para esta obra organizacional que se completa na Federação Espírita do Estado da Bahia", concluiu.
A sessão foi embelezada pela participação do coral da Feeb, que executou meia dezena de músicas, entre as quais a oração de São Francisco e uma adaptação de Jesus Cristo Alegria dos Homens, de Johann Sesbastian Bach. Falaram, além de Emiliano, a presidente da Feeb, Creuza Santos, que discorreu sobre a entidade e destacou que "a questão social será resolvida quando o altruísmo substituir o personalismo exclusivista e estreito". O vice-presidente, Marcel Mariano, lembrou que os ministérios da Saúde e da Educação já reconheceram que os espíritas têm um bom know-how na assistência social. João Neves da Rocha, presidente do Conselho Deliberativo da entidade, fez um discurso contando a trajetória de José Petitinga, desde o Recôncavo, seguindo para Juazeiro, onde levou a doutrina, e voltando para Salvador, "para completar sua missão".
O deputado federal Luiz Bassuma foi o último a ocupar a tribuna do plenário e adiantou que o que já havia sido dito já estava de bom tamanho, frisando inclusive que Emiliano não tinha do que se desculpar, pois suas palavras foram muito bem colocadas. Presidente da Frente Parlamentar pela Vida, ele foi aplaudido calorosamente em duas ocasiões ao citar matéria da Folha de S. Paulo de ontem, em que se lia no título "Lei do Aborto tem primeira derrota". Ameaçado de cassação por ter persuadido os colegas de Câmara a tornarem públicos seus votos sobre o tema, o parlamentar classificou o aborto como crime hediondo e disse que vai manter a pressão sobre os demais congressistas para conseguir derrubar a lei. "Se resolverem cassar meu mandato por eu defender a vida, vou ficar muito satisfeito", definiu, demonstrando desapego pelas coisas matérias e assinalando que preferia cometer erros por excesso do que por omissão.
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