Na tarde de ontem, a educação ocupou o centro dos debates na Assembléia Legislativa e a tribuna virou uma trincheira em prol do ensino de qualidade e com compromisso social. Tal fato ocorreu por conta da sessão especial que marcou a passagem do centenário da Fundação Visconde de Cairu. O evento, proposto por Zilton Rocha (PT), se transformou em uma festa cívico-educacional e atraiu representantes dos mais diversos segmentos educacionais do estado, que lotaram o plenário e as galerias da Casa.
As comemorações começaram com o coral da instituição, comandado pela maestrina Nívea Quadros, entoando o Hino do Centenário, composto pelo professor e músico Fábio Paes. Logo em seguida, o proponente da sessão, Zilton Rocha fez um rápido e emocionado discurso de saudação.
"O fato de uma instituição atravessar um século, por si mesmo, já revela a sua importância para a comunidade onde se insere. Não tivesse mérito, não marcaria a história da cidade do Salvador e do estado da Bahia, como o fez a Visconde de Cairu", elogiou o líder petista, acrescentando que "essas marcas indeléveis são percebidas não pelos edifícios onde funcionou e funciona, mas através de profissionais que formou e daqueles que continua formando, na prática de ensino que privilegia o cidadão".
Zilton Rocha afirmou ainda que a instituição sobreviveu às transformações sociais, políticas e culturais em todo este período, adequando-se às novas modificações, mas sem perder "o lastro original: o empreendedorismo". Ele afirmou ainda que, como educador, "é uma honra propor tão importante sessão. É a celebração de que as instituições são maiores que o homem, limitado pelo tempo; é a certeza de que os princípios se perpetuam para além de nós quando assumimos compromissos coletivos".
No final de seu pronunciamento, o parlamentar saiu do script e para simbolizar a trajetória da entidade, citou Guimarães Rosa: "A coisa não está nem na partida e nem na chegada, mas na travessia".
HISTÓRIA
E a trajetória da travessia da Fundação Visconde de Cairu (FVC) foi contada pelo atual presidente Walter Crispim da Silva em um detalhado e emocionado discurso. "Incontida é a emoção deste humilde representante da mais antiga instituição de ensino do segmento econômico de nosso estado. Ela que também ostenta o galardão de ser a segunda mais antiga do país", informou, destacando que a mesma foi fundada em 12 de março de 1905 e reconhecida no dia 25 de novembro do mesmo ano.
"O sadio propósito de servir foi a bússola dos seus fundadores, empresários de visão, sócios da veneranda Associação Comercial da Bahia, empreendedores capitaneados pelo comendador Silvino Marques", afirmou, acrescentando que a FVC teve instalações iniciais "no coração social", político e administrativo da época: a Rua Chile. "Depois, desloca-se para a Praça da Piedade protegida pelas bênçãos do padroeiro da Paróquia, São Pedro. No início da década de 60, ocorre a separação física indo a fundação instalar-se no prédio sito à Rua do Salete, 50, conhecido por muito tempo como Solar Marback".
Walter Crispim disse que o pioneirismo é uma das principais marcas da Cairu. "Pioneira ao criar os cursos de preparação para atividade comercial. Pioneira quando criou os primeiros cursos superiores na área. Pioneira quando criou o primeiro mestrado em Contabilidade, único no Norte e Nordeste em pleno funcionamento, já tendo diplomado cerca de 100 mestres espalhados na Bahia e no Brasil", arrematou.
A mesa dos trabalhos, presidida pelo deputado Waldenor Pereira (PT), contou ainda com a vice-presidente da FVC, Mazinete Vasconcelos de Lemos, a reitora da Uneb, Ivete Sacramento, a secretária Municipal de Educação, Olívia Santana, o presidente do Conselho Regional de Contabilidade, Edmar Sombra Bezerra, e com os deputados Roberto Carlos (PDT), líder da oposição, e Álvaro Gomes (PC do B).
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