Em reconhecimento à relevância da Conjuração Baiana, “um dos momentos ímpares da história da Bahia”, a deputada Fabíola Mansur (PSB) encaminhou à Mesa Diretora desta Casa Legislativa, projeto de lei que define o dia 8 de novembro, data do início do movimento, como feriado estadual.
Também denominada Revolta dos Alfaiates e mais recentemente Revolta do Búzios, foi uma das poucas rebeliões do período colonial que nasceu do povo. Iniciada no final do século XVIII, liderada pelos alfaiates João de Deus do Nascimento, Manuel Faustino Santos Lira e pelos soldados Luís Gonzaga das Virgens e Veiga e Lucas Dantas de Amorim Torres, além do médico Cipriano Barata, a revolta também contou com a participação de padres, pequenos comerciantes, escravos e ex-escravos.
O artigo “Da Contestação à conversão: a punição exemplar dos réus da Conjuração Baiana de 1798”, da historiadora e professora Patrícia Valim, base histórica da matéria apresentada por Fabíola Mansur, descreve que um dos principais objetivos do levante era alcançar uma república democrática, extinguir a abusiva cobrança de impostos e o fim da escravidão na Bahia e no Brasil.
Outro ponto salientado no artigo da professora Patrícia Valim foi a forma severa e autoritária com que a Coroa Portuguesa debelou a rebelião. O texto usado como fundamento deste projeto, destaca a expulsão, a decapitação e exposição dos membros dos alfaiates e dos soldados que também lideraram o movimento.
Para a parlamentar, diante da singularidade da revolta, o dia 8 de novembro de 1798 nunca será apagado da memória do povo baiano, uma vez que esta foi à data que marcou a luta até a morte de quatro homens, “verdadeiros heróis”, por uma sociedade igualitária, sem preconceitos de qualquer natureza e, de modo decisivo, sem escravidão. Ainda segundo Fabíola Mansur, a data merece o reconhecimento de figurar como feriado estadual”, diz.
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