O governador Rui Costa fez uma conclamação ao entendimento e à união, durante o discurso anual de abertura do ano legislativo, ontem à tarde na Assembleia. O principal foco desta união é o enfrentamento da crise econômica, razão pela qual ele pretende manter reuniões mensais com os chefes dos demais Poderes, do Ministério Público e do Tribunal de Contas do Estado. Entre outros aspectos, ele anunciou que a arrecadação do estado foi pior no mês passado em relação a janeiro de 2015, que já havia sido pior do que do ano anterior.
Ao longo de um pronunciamento que chegou a quase duas horas, Rui Costa destacou a atuação do Legislativo para contribuir para solução de dificuldades. "Esta Casa soube responder no momento certo e preciso a esse esforço conjunto", disse, referindo-se às medidas firmes e austeras que permitiram ao estado manter os níveis de investimento e uma situação contábil mais propícias do que outros estados da Federação.
"Quero aqui agradecer a todos os membros desse Legislativo, que souberam discutir, conversar, negociar, decidir e votar por aquilo que era imperioso naquele momento", afirmou, ensejando ajuda da Assembleia para este ano. "Não se trata de ajudar ao governo, mas sim de se unir para ajudar a Bahia", explicou, garantindo que a instabilidade econômica do país é um dos fatores que vêm dificultando a atração do capital externo. "Um país que não define o que quer da vida afugenta investimentos", definiu.
ATUAÇÃO
A necessidade por um movimento coeso que envolva Estado, instituições empresariais e sociedade foi também defendida no combate ao mosquito Aedes Aegypti, transmissor da epidemia da Zica. Ele dedicou parte do seu pronunciamento para detalhar os três eixos de enfrentamento: mobilização social para acabar com o vetor ("se cada um dedicar dez minutos por dia para combater o mosquito"), estruturação da rede de saúde para tratar os enfermos e mobilização das "mentes e as inteligências de quem faz ciência no país e na Bahia para buscar novas alternativas de combate e tratamento".
O pronunciamento tratou de todas as áreas de atuação do governo, em que foram apresentados números do que foi realizado e do que está em fase de conclusão ou projetado. Ênfase grande foi dada à mobilidade. Para Rui Costa, o metrô deixou de ser motivo de escárnio para os baianos, com o início da operação da Linha 1 e, em 2017, será motivo de orgulho, quando terá a terceira malha viária do país e a melhor mobilidade. Neste sentido, falou dos investimentos em BRTs de integração e no VLT da Região Suburbana.
A educação mereceu também destaque. "Estou convencido de que sou filho do acesso à educação, das oportunidades que o ensino público pode abrir", disse o governador ao citar as ações neste setor, que englobam, por exemplo, o Programa Educar para Transformar, que prevê a alfabetização de todas as crianças até 8 anos, outra medida em que o governador espera uma sinergia entre pais, professores e setor produtivo. Costa propôs também um convênio com a Assembleia para o programa cultural, "um trabalho extraordinário", com o qual pretende que os livros editados pela Casa cheguem a todos as escolas e bibliotecas baianas.
SAÚDE
A respeito da saúde, Costa enfatizou o papel que os Consórcios Interfederativos passarão a ter, com a mobilização de todos os entes públicos operadores do SUS. "Assim poderemos compartilhar serviços e equipamentos, o que vai reduzir custos e proporcionar ganhos de escala na compra de equipamentos, medicamentos e de material e consumo", disse. Ponderando que o sistema hoje é municipalizado, afirmou que mesmo assim o estado vai assumir 40% do custeio e de 100% da construção das policlínicas regionais. Já está em fase de licitação 12 destas unidades.
Costa anunciou ainda uma viagem de dez dias à China para dar continuidade às tratativas em busca de investimentos para a Bahia. Na pauta, as obras do VLT (R$1,5 bilhão), o Porto Sul (R$2 bilhões na primeira etapa), a retomada a ferrovia Oeste-Leste (entre R$2 e R$3 bilhões) e a ponte Salvador-Itaparica (R$6 bilhões). O governador não deixou de fora do seu discurso, a situação da segurança pública e a necessidade de equacionar a questão previdenciária.
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