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Produtores de cacau mobilizam-se pela renegociação de suas dívidas

Publicado em: 22/11/2005 21:06
Editoria: Diário Oficial

"Hora de mobilização e luta": sob a presidência de Fábio Santana, a Comissão do Cacau discutiu o endividamento do setor
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"A hora é de mobilização e de luta". Estas foram as palavras de ordem que dominaram a reunião de ontem da Comissão Especial do Cacau, presidida pelo deputado Fábio Santana (PRP), que debateu sobre o endividamento da lavoura cacaueira. O evento contou com a participação de diversas entidades ligadas à agricultura e aos produtores rurais, como a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb) e a Central Nacional dos Produtores de Cacau (CNPC), além de sindicatos patronais. 

Dentro da estratégia definida, os produtores rurais decidiram que no próximo dia 5 vão se reunir em Itabuna para traçar estratégias de mobilização na renegociação das suas dívidas com o Banco do Brasil, que chegam a R$ 1 bilhão e vencem no dia 31 de janeiro de 2006.

Fábio Santana lembrou que o colegiado sempre se colocou a favor das lutas daquela região. "Já fizemos inclusive uma audiência pública e enviamos os resultados para os ministérios da Agricultura, da Fazenda e do Planejamento", informou, destacando que é fundamental uma ação coordenada de pressão aos governos federal e estadual.   

Na mesma linha, o deputado Paulo Câmera (PFL) afirmou que os produtores "precisam radicalizar. Quem tem a força são vocês, que são as lideranças deste processo. É preciso um plano estratégico de mobilização para incendiar a região", afirmou. Ele acrescentou que é preciso ter um diagnóstico claro e preciso para mudar o quadro atual.  

Por sua vez, Zé das Virgens (PT) solidarizou-se com os cacauicultores e colocou-se à disposição "para ajudar no que for preciso". O petista relatou o exemplo de Irecê, região que representa na Assembléia Legislativa e que realizou recentemente "O Grito do Sertão", reunindo mais de 30 mil sertanejos em defesa da agricultura.        

ORÇAMENTO

Participante ativo nos debates desde o início dos trabalhos, o deputado Edmon Lucas (PTB) alertou que é necessária uma mudança de comportamento tanto do governo estadual como do federal. "Neste ano, a agricultura teve apenas 2,25% do orçamento, com R$ 327 milhões, sendo que até agora só foram executados 43% deste total. No entanto, para o ano, a perspectiva é ainda pior, pois este índice cairá para 1,96%, com R$ 317 milhões, incluídas aí as despesas da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal)", informou.

Já o presidente da CNPC, Wallace Setenta, disse que, para além da mobilização, o que está faltando é capacidade de convergência. "Antes, tínhamos a Ceplac e agora perdemos a referência com interesses difusos. É preciso, é fundamental, a união", alertou. Também se pronunciou o representante da Faeb, Ebiziel Andrade, além de diversos presidentes de sindicatos rurais.



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