Um fim de tarde com direito a pôr do sol no Solar do Unhão foi o cenário do lançamento do livro Flor do São Miguel, do gravurista Hansen Bahia, que a Assembleia Legislativa lançou em regime de coedição com a Fundação Hansen. Uma exposição com trabalhos originais do artista alemão foi inaugurada na capela do local, concluindo as comemorações do centenário de nascimento de Hansen Bahia.
Cerca de 200 pessoas participaram da solenidade. Conselheiros e funcionários da Fundação, ex-deputados, artistas plásticos, escritores, acadêmicos, estudantes e aficionados das artes plásticas e da literatura. O presidente do Legislativo, deputado Marcelo Nilo, foi representado pelo assessor para Assuntos de Cultura, professor Délio Pinheiro, que fez um balanço da produção editorial da Assembleia nos últimos nove anos, período em que foram publicados 163 livros – uma média de dois livros mensais.
O presidente Marcelo Nilo ficou retido no Centro Administrativo dirigindo a sessão de votação da PEC 148, que dispõe sobre funcionalismo público estadual, pois os trabalhos só foram encerrados às 20hs, quando a matéria foi aprovada. O professor Délio Pinheiro explicou ainda que o programa Alba Cultural inseriu de uma vez a Assembleia Legislativa no cenário literário da Bahia, suprindo a carência de editoras em nosso estado.
PARCERIAS
Falou ainda da interação do parlamento com entidades culturais, acadêmicas e institucionais baianas através de convênios e citou como exemplo parcerias firmadas com a Academia de Letras da Bahia, com a Universidade Federal da Bahia, com a Associação Comercial da Bahia e ainda com o Museu Casa de Jorge Amado, Museu Eugênio Teixeira Leal e Universidade Estadual do Sudoeste, para ficar em algumas. Discorreu também sobre livros importantes, trazidos a lume por esse programa editorial, como Cascalho, do acadêmico Herberto Sales; Obras Escolhidas, de Hélio Pólvora ou a biografia de Rui Barbosa, escrita pelo senador Luis Viana Filho.
Em seguida falou o coordenador executivo da Fundação Hansen, Elias Gomes dos Santos, que defendeu a criatividade e o regime de parcerias como alternativa para se continuar a realizar na área cultural, mesmo em momentos de dificuldades econômicas e fiscais como o atual. Ele agradeceu ao apoio do Legislativo, pois esse lançamento é o terceiro relacionado com Hansen (um perfil biográfico escrito pela jornalista Regina Bochicchio e um catálogo de suas obras, com textos dela e de Claudius Portugal já haviam sido publicados) e pretende propor outro projeto para exame em 2016.
Ele aproveitou para homenagear a equipe técnica da Fundação Hansen Bahia, chamando para seu lado no microfone o museólogo Jomar Lima, curador do acervo e organizador e da exposição, que foi aberta conjuntamente com o lançamento de “Flôr do São Miguel”.
LIVRO
O livro “Flôr de São Miguel” ajudou a tornar mundialmente famoso o gravador e artista plástico Hansen, que depois de decidir viver na Bahia adotou o estado até no nome, doando a este todos os seus bens, inclusive os direitos de sua vasta obra, que está sob guarda da fundação homônima em dois pontos do Recôncavo – onde decidiu viver: a Fazendinha e a sede da fundação, em São Felix e Cachoeira.
O livro ora relançado foi produzido nos anos 50 do século passado, e possui uma luxuosa apresentação de Jorge Amado, que até então sequer conhecia pessoalmente – sabia apenas da qualidade do trabalho. Trata-se de uma obra original que retrata fielmente o ambiente respirado numa Salvador ainda provinciana, que tanto impressionou ao alemão cidadão do mundo quando chegou à Bahia.
A bem cuidada reedição do livro “Flôr de São Miguel” foi acrescida de um texto da jornalista Regina Bochicchio, autora de perfil de Hansen para a coleção Gente da Bahia; e contém dez reproduções avulsas de trabalhos do gravador que podem até ser emolduradas por admiradores de seu trabalho.
Com 96 páginas e primoroso acabamento em costura de linha, teve o projeto gráfico elaborado pela P55, em sintonia com o pessoal da fundação Hansen Bahia, sendo aprovada por seu conselho diretor; inclusive o novo texto de Regina Bochicchio que através de entrevistas localiza o mítico bar, ponto do artista nos anos 50 e 60, e que dá nome e serve de ambiente.
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