Assembleia Legislativa da Bahia lança nesta quinta-feira o livro de contos Goroba, do jornalista Carlos Navarro Filho. O lançamento terá início às 18h, no restaurante da Casa do Comércio, na Avenida Tancredo Neves, e faz parte do programa Assembleia Cultural. Goroba é uma crônica de costumes e de comportamento ambientado no Centro Histórico e outros locais de Salvador, além de histórias passadas em cidades do interior do estado, tendo como personagens figuras reais ou fictícias, geradas no universo do jornalista.
O livro marca a estreia na ficção de Carlos Navarro Filho, que chefiou por quase 30 anos a sucursal do jornal O Estado de S. Paulo, primeiro na Bahia e depois na diretoria regional da Agência Estado no Nordeste. Em busca de notícias, Navarro percorreu toda a Bahia e vários outros estados, além de realizar trabalhos no exterior. Por mais de três décadas, acumulou experiência e técnica que o transformaram em referência no jornalismo baiano.
Por muito tempo, o autor foi cobrado pelos amigos e pela família a registrar, além das matérias do dia a dia, o que viu e viveu. Ele nunca se dispôs, mas a morte prematura de um irmão o levou a escrever um conto. Foi o embrião do livro, que tem 18 narrativas. Cinco dos contos e as páginas finais do livro são dedicados a “confraria”, grupo de jornalistas que começou a se reunir nos bares do centro de Salvador na ditadura para “conspirar” contra o regime militar.
Sobre o irmão, Navarro explicou em entrevista ao jornal A Tarde: “Era um curtidor inveterado, meio anarquista, não acreditava em família, governo nada. Poderia ser um homem rico porque era empreendedor, mas achava que bastava a si próprio e não dava muito atenção a sugestões, conselhos, essas coisas. Fazia o que dava na telha”.
Na mesma entrevista, Navarro contou que não existe uma explicação para não ter lançado um livro antes. “Há muito tempo penso em escrever. Tenho os originais de um livro denominado Boquira (e cujo primeiro capítulo incluí no Goroba) que venho escrevendo faz mais de 40 anos; devo dar uma adiantada nele se a repercussão deste não for tão desastrosa”.
No prefácio da obra, o assessor cultural da Assembleia, Délio Pinheiro, descreveu a prosa de Navarro como “límpida e sincera”. “Seus contos resultam numa análise de microcosmos sociais. Neste livro, escrito em linguagem direta coloquial, utiliza palavras usuais, cotidianas (certamente uma herança da objetividade do trabalho cotidiano na impressa)”, escreveu Délio. “Não embotou suas narrativas literárias para criar a ilusão de profundidade. Ele sabe que turvar a água não a torna mais profunda”.
Criado na década de 1990 pelo então presidente Antonio Honorato, o programa editorial da Assembleia Legislativa ganhou força com o passar dos anos. Apenas nas gestões do presidente Marcelo Nilo, a Assembleia publicou mais de 150 volumes. Da coleção Gente da Bahia, iniciada com a biografia do artista plástico argentino Carybé, foram mais de 40 obras lançadas.
“O que foi idealizado como mera ferramenta de marketing cultural, ao longo do tempo ganhou musculatura (na presidência de Clóvis Ferraz) e se tornou um sólido programa cultural que resgata títulos importantes fora dos catálogos das editoras comerciais, louva a memória de vultos históricos, fomenta a literatura abrindo espaço para autores inéditos e oferece uma gama de informações indisponíveis para os jovens”, observou Marcelo Nilo.
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