MÍDIA CENTER

Sessão especial comemorou conquistas das mulheres negras

Publicado em: 27/11/2015 00:00
Editoria: Diário Oficial

Evento proposto por Bira Corôa marcou também o Dia da Consciência Negra.Sessão foi marcada por diversas manifestações relativas à luta da mulher negra.A deputada Benedita da Silva foi a principal home
Foto: NeusaMenezes/Agência-Alba
A Marcha das Mulheres Negras, que levou milhares de militantes de todo o país para Brasília, no último dia 18, foi o principal tema da sessão especial da Assembleia Legislativa, realizada ontem para marcar o Dia da Consciência Negra.

Os diversos pronunciamentos durante o evento proposto pelo deputado Bira Corôa (PT) trouxeram ao plenário o ponto de vista que faz convergir as demandas feministas com as demandas do movimento feminista negro, como ressaltou a procuradora Cléia Costa dos Santos. A deputada federal carioca Benedita da Silva se fez presente, como homenageada especial, com a distribuição de 11 troféus que levam o nome dela. 

A mesa dos trabalhos foi composta majoritariamente por mulheres, demonstrando na prática o que Suely Souza Santos, da Rede de Mulheres Negras da Bahia, cravou: “A marcha foi um marco. 

Fomos levar nossa pauta de reivindicações, fomos mostrar nossa indignação de mulher negra, que teve até o 18 de novembro nossa luta 'invisibilizada'”, disse, afirmando que os que não acreditaram na marcha “perderam e perderam feio”. Vários discursos ressaltaram a importância de ter uma mulher na presidência, mas também a necessidade de haver maior representação política que personifique a pauta das negras.  

O deputado Bira Corôa foi o primeiro  a se pronunciar e, para tanto, pediu que a deputada Maria del Carmem (PT) o substituísse na presidência dos trabalhos. Ele fez questão de deixar claro a representação da mesa e, citando uma a uma, foi lembrando as contribuições que cada personalidade tinham dado à causa da igualdade racial. Estavam ali a representante da Sepromi, Nairobi Aguiar; a procuradora Cléia dos Santos; a defensora Pública, Eva Rodrigues; a superintendente de Apoio dos Direitos Humanos da Secretaria de Justiça, Anhamona de Brito; as capitãs Edilânia Aguiar e Taiz Trindade, representando respectivamente o Centro Maria Felipa e o Núcleo de Matrizes Africanas da PM; a Yalorixá Jacira Miranda, do Ilê Axé Ibá Lugan; a diretora do Quilombo Steve Biko, Jucy Silva; Jussara Santana, do Conen; Sueli Santos Souza, da Rede de Mulheres Negras; Benedita da Silva e o coronel Nascimento, diretor do Departamento de Promoção Social da PM.

ATUAÇÃO

Bira também falou sobre a marcha, ressaltando que mais de 20 mil mulheres ocuparam Brasília “no momento em que a elite burguesa tenta resgatar um domínio militar perverso”. Ele destacou a importância da atuação da Comissão da Igualdade Racial da Assembleia, ressaltando a ação da deputada Fátima Nunes (PT). “Quando cheguei no meu primeiro mandato, a comissão estava na lista das que iriam desaparecer e Fátima se engajou na luta para a sua manutenção”,disse, lembrando que a deputada o sucedeu na presidência do colegiado, mantendo a relevância de suas atividades. Ele também agradeceu a Del Carmem, que abriu mão do rodízio a que tinha direito no comando da comissão, para mantê-lo na presidência.

A Yalorixá Jacira fez um pronunciamento bastante eloquente e concluiu afirmando “Não quero que me tolerem, quero que me respeitem” e pedindo uma representação maior de mulheres negras na política. Anhamona Brito também enfatizou que o momento “é um divisor de águas”, pois existe uma disputa para definir qual modelo econômico vai persistir no Brasil, significando como serão distribuídas as fatias do bolo econômico. Para ela, é natural um sentimento coletivo de frustração, mas há que se reconhecer que houve uma guinada com diversas conquistas que não se pode retroceder.

ELOGIO

Benedita destacou o trabalho realizado por Bira Corôa pela causa negra e disse que não emprestou o nome ao troféu, mas que foi honrada ao denominar um prêmio para mulheres engajadas na luta por conquistas. “Aceitei porque sei do brilho do seu mandato, do seu compromisso que vai além da simbologia das homenagens”, disse. Como Anhamona, ela também falou sobre o momento difícil, “que não é só de crise econômica, mas de raiva e ódio”. Ela disse ainda que “as poucas Beneditas da Silva que existem no Congresso precisam da força de todas as mulheres para erguer suas vozes.

No momento da premiação, Bira reservou uma surpresa para Rita Araújo, como reconhecimento do trabalho realizado pelo cerimonial da Assembleia. Também receberam os troféus a própria Benedita, a procuradora Cléia, a Yalorixá Jacira, Jussara Santana, Jucy Silva, Cleonice Santos, Tahis da Conceição, e Negra Magna. O Grupo Cultural da Terceira Idade fez uma apresentação de samba-de-roda logo no início da sessão e Rebeca Tarique  cantou músicas à capela.


Compartilhar: