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Morte de Lomanto Junior consterna Assembleia

Publicado em: 25/11/2015 00:00
Editoria: Diário Oficial

O deputado estadual Leur Lomanto Junior e familiares deram adeus ao ex-governador, foi abraçado por Marcelo Nilo e pelo governador Rui Costa
Foto: Carlos Amilton/Agência-Alba
Consternou o mundo político da Bahia o falecimento do ex-governador Lomanto Júnior, às vésperas de completar 91 anos. O velório aconteceu no Palácio da Aclamação, sendo o sepultamento realizado em sua terra natal, Jequié, no cemitério São João Batista após velório na catedral. Na Assembleia Legislativa o presidente Marcelo Nilo decretou luto oficial de três dias em reverência “à memória de um baiano ilustre, que marcou a nossa terra em sua longa e proba vida pública”.

O líder da maioria, deputado Zé Neto(PT), acordou com o oposicionista Sandro Régis(DEM), com o apoio de todas as legendas representadas no parlamento, a suspensão dos trabalhos nas comissões e plenário. Portanto, foi adiada para hoje a apreciação do Plano Plurianual e das outras matérias que estão em pauta. Foi cancelada ainda a sessão especial de hoje, às 9h30, que debateria a extinção da EBDA, solicitada pelo deputado Tom Araújo(DEM), pois muitos parlamentares da oposição e governo irão ao sepultamento.

Houve manifestações de solidariedade e pesar de bancadas, partidos e parlamentares individualmente, sempre salientando a importância da gestão Lomanto Júnior para o desenvolvimento da Bahia. O presidente Marcelo Nilo, o governador Rui Costa, os ex-governadores Paulo Souto e outros políticos estiveram no palácio da Aclamação em derradeira homenagem ao ex-governador da Bahia.

No velório foi maciça e suprapartidária a presença de deputados estaduais e federais, colegas de seu neto e do filho, Leur Lomanto Neto e Filho, que deram continuidade na política ao trabalho do patriarca, bem como de ex-parlamentares, prefeitos interioranos, dirigentes de entidade de classe, desembargadores, conselheiros das Cortes de Contas e outras autoridades – além de amigos da família e admiradores. O ex-deputado Ewerton Almeida fez uma emocionada do ex-governador Lomanto Júnior, “o mais ilustres dos jequieenses”.

O deputado estadual, Leur Lomanto Neto(PMDB), primeiro secretário da Assembleia Legislativa, recebeu palavras de consolo e solidariedade do presidente Marcelo Nilo em nome do conjunto dos parlamentares, sendo conclamado a persistir “na luta municipalista do avô mesmo numa quadra tão difícil para aqueles que se dedicaram à vida pública”. O deputado Adolfo Viana(PSDB) lembrou o afeto que une suas famílias, lamentou o falecimento do “doutor Lomanto” e lembrou do quanto ele fez pela Bahia e pelos baianos como prefeito de Jequié, governador, deputado estadual, federal e senador numa vida pública irrepreensível”.

O ex-governador deixou a viúva dona Hildete, (dona Detinha), cinco filhos (Lomanto, Leur, Lilian, Tadeu e Marco Antonio), dez netos e dez bisnetos. Estava internado há cerca de 40 dias.
 
  
O ex-governador Antônio Lomanto Júnior nasceu em 29 de novembro de 1924. Dentista se elegeu vereador em Jequié aos 22 anos, início de carreira que passou em seguida pela prefeitura da cidade, em 1951, sendo eleito depois deputado estadual e governador em 1963, aos 37 anos de idade. Entre 1971 e 1978 exerceu o cargo de deputado federal, chegando depois ao Senado da República. Não logrou a reeleição quando compôs a chapa encabeçada pelo professor Josaphat Marinho, derrotado por Waldir Pires, o mesmo que derrotara na campanha de 1963. Dedicado a Jequié, retornou a prefeitura da cidade em 1993.

Ele foi o primeiro municipalista a marcar época no estado e o primeiro político que realizou a marcha do interior para a capital. Era um municipalista e deixou como marca de sua administração a implantação do Centro Industrial de Aratu, vasta obra na área das estradas de rodagens (leva seu nome o trecho entre Capim Grosso e Juazeiro) e na capital reconstruiu o Teatro Castro Alves (destruído em incêndio na véspera da inauguração), o estádio da Fonte Nova e a avenida do Contorno, entre outras obras.  Lomanto Júnior fez uma campanha ao governo marcada pela marcha “Lomanto, a esperança do povo”  – jingle que marcou época e ainda hoje lembrado – e usou como mote a frase “feijão na panela, feijão na lapela”. Seus aliados usavam um broche lembrando o feijão na lapela.



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