O saguão do Instituto Histórico e Geográfico da Bahia lotou na noite de ontem, na solenidade de lançamento do livro “J. J. Seabra, sua Vida, suas Obras”, do desembargador federal Edilton Meireles e editado pela Assembleia Legislativa. É o 158º livro lançado na gestão do presidente Marcelo Nilo que aproveitou a ocasião para homenagear a historiadora Consuelo Pondé de Sena, presidente daquela instituição de 1996 até o seu falecimento, em 14 de maio desse ano.
A cerimônia só foi encerrada por volta das 21h, pois foi longa a fila para autógrafos prestigiada pelas desembargadoras federais Ivana Magaldi e Débora Machado; pelo juiz Paulo Viana Jucá; por escritores como Itaberaba Lira, acadêmicos como Joaci Góes e ex-deputados como Ewerton Almeida. Também historiadores como Oleone Coelho Fontes; dirigentes de órgãos relacionados com a cultura, como o presidente do Gabinete Português de Leitura, Abel Travassos; e o presidente da Fundação Getúlio Vargas, secção da Bahia, Geraldio Leite. Além de familiares, pesquisadores, advogados e estudantes.
GÊNESE
Em seu pronunciamento o presidente da AL, deputado Marcelo Nilo lembrou a dedicação absoluta da professora Consuelo Pondé de Sena ao IHGB desde 1955 “e do orgulho com que ela hasteava a bandeira da instituição na ocasião das comemorações do Dois de Julho – como ocorreu nos últimos oito anos”. Nilo também explicou a gênese do programa editorial que implantou, para levar a história da Bahia e de seus vultos icônicos, para as novas gerações e para o resgate de obras de elevado valor cultural e histórico, em associações com entidades representativas de nosso estado, como a Associação Comercial, a Universidade Federal da Bahia e a Academia de Letras, entre outras.
Citando a crise política, econômica e de credibilidade atual, ele afirmou que esta situação só pode ser superada se cada cidadão tiver a ideia exata de seu papel e “contribua para ultrapassar as dificuldades, conhecendo a sua importância nesse processo”. Para Nilo, essa conjuntura amplia a importância do lançamento dessa segunda edição do “primoroso” trabalho do pesquisador e desembargador federal Edilton Tourinho, que resgata a importância de Joaquim José Seabra, governador duas vezes, ministro em três oportunidades, quatro vezes deputado (duas vezes constituinte) e senador.
“Um político”, continuou “que dominou a política baiana da República Velha até os anos Vargas, quando se juntou a adversários históricos como os irmãos Mangabeira (Otávio e João), Simões Filho, Góis Calmon e outros, para se opor ao então tenente Juracy Magalhães, nomeado interventor. O presidente do Legislativo falou da importância administrativa e inovadora de JJ Seabra, lembrando a centenária Avenida Sete de Setembro, por ele construída no bojo de uma exemplar reforma urbana feita em Salvador”.
O homenageado no livro, agora reeditado 25 anos após sua primeira edição, dá nome à conhecida Baixa do Sapateiros e ao mais importante município da Chapada Diamantina, o outrora Cochó do Pêga.
RELEVO
O desembargador Edilton Tourinho elogiou o programa Assembleia Cultural e agradeceu a escolha de seu trabalho para publicação, lembrando que a primeira versão, de 1989, fora vencedora no ano anterior de concurso de monografia realizado pela Fundação Pedro Calmon. Concorreu embalado pelo apreço e apego que tem à história e graças aos incentivos da professora Consuelo Pondé de Sena e da pesquisadora Adélia Maria Marelin, descendente de Seabra.
Ele discorreu sobre o personagem de seu livro, agora triplicado em volume graças às novas pesquisas que empreendeu, destacando o predomínio completo de sua liderança política na Bahia de Seabra durante a República Velha, pois foi governador duas vezes - no intervalo elegeu um aliado Antônio Moniz de Aragão -, o que possibilitou ao seabrismo 12 anos ininterruptos no poder.
Para ele, na política local não há figura que a ele se iguale, pois foi também ministro, deputado e senador, concorreu a vice-presidência da República – sem ter origem na oligarquia – ;e a seu ver superou até Rui Barbosa, que teve um enorme prestígio nacional. O desembargador lembrou que Seabra venceu nas eleições todos os grandes políticos de sua época, Severino Vieira e Góis Calmon que se uniram para derrotá-lo
Na solenidade também falou o presidente do Instituto Histórico e Geográfico da Bahia, Eduardo Morais de Castro, que abordou a importância da instituição como depositário da história da Bahia e dos baianos, sendo inteiramente aberto ao trabalho e escrutínio dos pesquisadores. Ele disse que o trabalho executado pelo presidente Marcelo Nilo com a produção editorial do Legislativo ainda não teve a sua dimensão avaliada pela sociedade; “Talvez por estar cedo, mas é um legado que deixará o seu (de Marcelo) nome gravado na história, pois deixará registrado em pepel e tinta a memória de uma época, de seus vultos icônicos e de suas obras de elevado teor cultural que serão disponibilizados para as novas gerações”.
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