“J.J Seabra, sua vida, suas obras”, de autoria do professor e desembargador Edilton Meireles, é o novo livro produzido pela Assembleia Cultural, programa da Assembleia Legislativa da Bahia. O lançamento da obra acontece amanhã, a partir das 17h, no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), na Piedade.
É a segunda edição do livro, a primeira ocorreu em 1989 e foi fruto de um convênio celebrado entre o Senado Federal e a Fundação Pedro Calmon. “Cerca de 23 anos depois, animado pelo incentivo da professora Consuelo Novaes Sampaio e da procuradora Adélia Marelim, resolvi reescrever o livro. Óbvio, porém, que partimos do texto original, procurando corrigir seu defeitos, falhas, omissões”, afirmou Edilton Meireles, na nota explicativa desta edição.
Na obra, os leitores poderão conhecer a trajetória do político e jurista José Joaquim Seabra, que governou a Bahia em duas ocasiões, de 1912 a 1916 e de 1920 a 1924. E que foi também um dos poucos parlamentares a participar do processo de promulgação das duas primeiras constituições republicanas (1891 e 1934).
Nascido no Rio de Janeiro, J.J Seabra ingressou na política em seu estado natal por onde foi eleito deputado para a Constituinte Republicana. No governo Floriano Peixoto fez violenta oposição, chegando a ser exilado na Amazônia (Cucuí), depois Montevidéu, retornando com a anistia de 1895. Seu advogado nessa ocasião foi Rui Barbosa, que mais tarde se tornaria seu grande rival na política baiana e brasileira. Foi deputado federal em outras três ocasiões.
No governo de Rodrigues Alves ocupou o Ministério da Justiça e Negócios Interiores (1902 - 1906). Foi também ministro da Viação e Obras Públicas (1910 - 1912) na presidência de Hermes da Fonseca, e senador. Foi ainda como ministro que concorreu à candidatura ao governo da Bahia, quando aproveitou a maré intervencionista do governo Hermes da Fonseca para, através do bombardeio de Salvador em 1912, impor a vitória aos seus adversários.
Na introdução, Edilton Meireles explicou que, no livro, não teve a preocupação de tratar dos fatos históricos de modo amplo ou exaustivo. “É uma biografia que tem como linha condutora a vida de uma pessoa. E mesmo em relação aos fatos vividos por esta pessoa, o presente trabalho não procura tratar dos temas de forma exaustiva”, observou o autor da obra.
COLEÇÕES
O projeto editorial da Assembleia Legislativo engloba uma série selos e coleções, abrigando obras de maior porte, como a coleção Gente da Bahia e o Ponte da Memória, que relança livros de valor literário/memorialista ou ainda dedicado à recepção de trabalhos inéditos.
Entre as personalidades que já foram biografadas na coleção Gente da Bahia, por exemplo, estão artistas plásticos como Carybé, Hansen Bahia, Juarez Paraíso e Calasans Neto. Músicos como o erudito Lindemberg Cardoso e Walter Smetak; ou populares como Riachão, Gordurinha e o pianista Carlos Lacerda. Cineastas como Roberto Pires. intelectuais como Milton Santos e Edison Carneiro; e também políticos como o senador Nélson Carneiro e o deputado Chico Pinto.
De acordo com o presidente da Assembleia, deputado Marcelo Nilo (PDT), os livros lançados são voltados “para a preservação da história de cidadãos baianos identificados com o que se convencionou chamar baianidade”. E definiu: “Todos merecedores de respeito e lembrança de nossa gente Criado na década de 1990 pelo então presidente Antonio Honorato, o programa editorial da Assembleia Legislativa ganhou força com o passar dos anos. Para se ter uma ideia, nas gestões do presidente Marcelo Nilo, a Assembleia publicou mais de 150 volumes. Só da coleção Gente da Bahia, iniciada com a biografia do artista plástico argentino Carybé, foram mais de 40 obras lançadas.
“O que foi idealizado como mera ferramenta de marketing cultural, ao longo do tempo ganhou musculatura e se tornou um sólido programa cultural que resgata títulos importantes fora dos catálogos das editoras comerciais, louva a memória de vultos históricos, fomenta a literatura abrindo espaço para autores inéditos e oferece uma gama de informações indisponíveis para os jovens”, concluiu Nilo.
REDES SOCIAIS