MÍDIA CENTER

AL reverencia Josaphat Marinho

Publicado em: 10/11/2015 00:00
Editoria: Diário Oficial

Familiares ficaram bastante emocionados com a homenagem da Assembleia Legislativa
Foto: Arquivo/Agência-Alba
“Uma das inteligências mais brilhantes que a Bahia conheceu”, como sempre diz o ex-governador Roberto Santos, o jurista Josaphat Marinho foi homenageado ontem pela Assembleia Legislativa. Em sessão especial comemorativa ao seu centenário, o professor e político baiano teve sua vida pública e acadêmica relembrada pelo proponente da sessão, o democrata Luciano Ribeiro. “Como advogado e político tenho em Josaphat fonte de inspiração, de quem recebi forte influência a ponto de levá-lo a filiar-se ao então PFL. A postura democrática e a sua firmeza de pensamento provocam até hoje admiração e servem de exemplo aos políticos”, aponta Ribeiro.

Orador oficial da sessão especial, o ex-deputado Archimedes Pedreira Franco destacou “a inteligência, a ética, a compostura, a moral e tudo o que reúne um homem probo, características que marcaram a vida de Josaphat Marinho. Franco enalteceu a formação jurídica e política do homenageado, que tinha admiração particular por “João e Otávio Mangabeira, a quem creditava qualidades de humanista e de estadista”. Também a sua grande preocupação com os menos favorecidos.

Josaphat Marinho, na análise de Pedreira Franco, deixou um importante legado “aos políticos que querem preservar a memória do país e da Bahia e que têm interesse pelo social, isentos de ambições pessoais. Um modelo a ser seguido. Infelizmente há muita gente que hoje usa a política para fins que não são os da sociedade. Mas Josaphat Marinho é um modelo sem retoque,” a ser seguido pelos democratas.

EMOÇÃO

A família recebeu a homenagem sensibilizada. “Justas sob todos os aspectos”, na visão de Paulo Marinho, filho de Josaphat, foram todas as comemorações que marcaram o centenário do pai. Justificadas por ele se tratar, “sobretudo, de um homem de bem, de personalidade sóbria, polida e que constituiu sua trajetória com muita dignidade”. Para ele, o pai manteve-se “sempre fiel aos princípios democráticos, tendo sido opositor duro aos atos da Revolução de 64”.

Paulo Marinho enfatiza o fato de Josaphat ter “gozado do respeito de todos os presidentes, de todos os líderes no Senado da República, inclusive dos presidentes ditadores”. Confessando que a família está “feliz pela reverência” feita ao pai pelos mundos “político e jurídico”, Paulo Marinho recordou o papel fundamental do jurisconsulto baiano quando da elaboração do novo Código Penal Brasileiro, do qual foi relator quando cumpria o segundo mandato como senador eleito pela Bahia, em 1990. Revelando-se “emocionado” com a homenagem da Assembleia Legislativa, Paulo Marinho considera que o pai “deixou grandes frutos” para a Bahia e para o Brasil.
Para os presentes, o legado “é de inspiração para toda a classe política”, sendo mesmo justa a homenagem da Assembleia Legislativa ao trabalho desenvolvido por Josaphat em favor do progresso não só da Bahia, mas do país. A opinião é partilhada pelo ex-governador Roberto Santos, para quem Josaphat Marinho foi “um grande advogado e professor, acatado por toda a Bahia”.

EXEMPLO

Josaphat Ramos Marinho era advogado, professor emérito da Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia e da Faculdade de Direito da Universidade Nacional de Brasília. Nascido em Ubaira em 28 de outubro de 1915, dedicou-se ao magistério e à vida pública elegendo-se pela primeira vez apenas nove anos após graduar-se em Direito, em 1938. 
Foi deputado Constituinte em 1947 e reelegeu-se deputado estadual. Em 1959 foi nomeado secretário do Interior e Justiça do Estado, no governo Juracy Magalhães. Ocupou também a pasta da Fazenda em 1960/1961. Neste ano foi nomeado pelo presidente Jânio Quadros para a presidência do Conselho Nacional do Petróleo (CNP). Em 1962, foi eleito senador com mandato até 1971.

Após deixar o Senado Federal, Josaphat Marinho voltou a se dedicar à advocacia e ao magistério, como professor de Direito Constitucional na Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia e da Universidade Nacional de Brasília. Quinze anos depois de abandonar a vida pública, lançou-se candidato ao Governo da Bahia, sendo derrotado por Waldir Pires. Mas em 1990 consegue a eleição para o segundo mandato como senador e ocupa a função de relator-geral do novo Código Civil Brasileiro. 

Democrata, Josaphat condenou com firmeza a incorporação à Constituição Federal dos atos constitucionais baixados pelo movimento militar de 1964, defendidos pelo então presidente Castelo Branco. Ao despedir-se do Senado Federal, Josaphat reafirmou suas convicções e prometeu defender a democracia e a justiça social, ainda que fora do Parlamento. Ao falecer, em 2002, Josaphat Marinho era diretor da Faculdade de Direito das Faculdades Integradas UPIS, em Brasília.




Compartilhar: