A Assembleia Legislativa concedeu ontem a Medalha Dois de Julho ao presidente da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral, Hari Alexandre Brust, tornando-o a primeira personalidade a ser condecorada com a comenda após ter sido agraciada com o título de cidadão baiano. Além da solenidade de outorga, foi realizado o lançamento do primeiro volume de “Leonel Brizola, uma Biografia Política”, escrito por ele e pelo jornalista Nilton Nascimento.
No evento, repleto de autoridades e pedetistas de expressão nacional e local, pronunciaram-se o proponente da sessão, deputado Euclides Fernandes (PDT), Brust e o ex-ministro Manoel Dias, presidente da Fundação Leonel Brizola. O parlamentar fez um discurso breve de saudação, seguindo-se a um alentado elogio de Dias, que, ao falar do homenageado, não se furtou de tratar da conjuntura nacional e apresentar um painel da história política recente.
“É impossível escrever a história do PDT sem incluir o nome de Hari Alexandre Brust em todos os seus capítulos”, definiu Euclides, lembrando que o gaúcho de Santa Rosa esteve ao lado de Leonel Brizola na fundação da legenda. Para o deputado, ele foi mesmo imprescindível no crescimento do partido na Bahia. “Foi durante a sua presidência que o PDT viveu um dos seus melhores momentos”, disse. Ao elencar todas as funções públicas desempenhadas por Brust, Euclides agradeceu por ele ter escolhido a Bahia para se fixar.
“Recentemente nosso amigo Brust publicou sua opinião sobre a crise que o país atravessa e defendendo a legitimidade do mandato de Dilma Rousseff, criticando iniciativas do Legislativo e do Judiciário que aumentaram a despesa do Estado”, disse o deputado, que citou as palavras de Brust, classificando de “golpistas os aliados à oposição derrotada nas eleições, que atua nos porões da subversão como representantes de uma elite burra e retrógrada, os mesmos do Proer e da privataria, lacaios que não se cansam de praticar traição de lesa Pátria”.
O presidente Marcelo Nilo convocou a esposa de Brust, Maria da Anunciação, os filhos e netos presentes para, juntamente com Euclides, fazer a colocação da medalha. Foi a vez do gaúcho tornado baiano em 2010 baiano por concessão de título proposto pelo deputado Roberto Carlos (PDT), ocupar a tribuna, ornada com as bandeiras da Bahia e do Rio Grande do Sul. Estas bandeiras, explicou ele, “traduzem a nossa origem e o nosso destino, além de encontrar, no verde, vermelho e amarelo, notória identidade com as cores do Ilê Aiyê, assim como a do Olodum, que cultuam as raízes do seu povo, assim como nós gaúchos cultivamos as tradições mais caras da nossa gente”.
“Aqui na boa-terra plantamos e cultivamos os frutos da árvore frondosa do labor e colhemos prosperidade e felicidade”, disse, ao final do seu discurso, que remontou do início dos anos 60 até os dias de hoje, contando como constituiu família em meio aos embates políticos desde então, sempre ao lado de Leonel Brizola. Foi Brizola, inclusive, que o incumbiu de vir à Bahia para tratar da formatura da turma de 1961 de Medicina Veterinária da Ufba. Como principal defensor da bandeira da legalidade ante os movimentos golpistas de 1964, Brizola havia sido convidado para ser paraninfo em nove estados, incluindo a Bahia.
LANÇAMENTO
Ao encerrar a solenidade de entrega da comenda, o presidente Nilo anunciou o lançamento do primeiro volume de “Leonel Brizola, uma biografia política”, escrito por Hari Alexandre Brust e Nilton Nascimento, com apresentação do presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, e prefácio do senador Cristovam Buarque. Foi a primeira vez que o plenário acolheu um evento desta natureza, lembrou Nilo, destacando que este é a 156ª publicação da Assembleia Cultural. Para ele, esse trabalho é importante para garantir às gerações mais novas o conhecimento profundo da história da Bahia. Brust, por sua vez, definiu o Legislativo baiano como pródigo na semeadura de livros. Nilton Nascimento ocupou a tribuna para ressaltar que o livro – que conta os primeiros 40 anos da biografia de Brizola – traz momentos da história do país que pouca gente conhece, pois a mesma não é contada na escola nem nas versões oficiais.
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