A Comissão dos Direitos da Mulher, presidida pela deputada Fabíola Mansur (PSB), realizou na manhã de ontem, na Casa Legislativa, audiência pública trazendo o tema “O que é HTLV? Prevenção, diagnóstico e tratamento”. A audiência, proposta pela presidente da comissão, serviu para debater toda a gama de questões relacionadas à infecção, com as presenças de especialistas, representantes de órgãos de saúde e entidade de apoio aos pacientes.
Dados do Ministério de Saúde apontam que o Brasil tem o maior número absoluto de indivíduos infectados pelo vírus T-linfotrópicos humanos tipo I (HTLV-I), chegando a 2,5 milhões. O ministério ainda aponta que a prevalência da doença varia conforme a região geográfica. Pesquisas de órgão de saúde da Bahia revelam que a capital baiana tem pouco mais de 60 mil pessoas com HTLV, em sua maioria mulheres com idade de 25 a 50 anos, entre os homens a incidência é menor 17% do total de infectados.
O pesquisador e coordenador do Centro de Referência de HTLV da Escola Bahiana de Medicina, Bernardo Galvão, chama a atenção para a falta de incentivo à pesquisa na área. O médico também coloca necessidade de políticas públicas principalmente no sentido de divulgar a existência e as consequências da doença e pede o apoio conjunto da sociedade civil, dos órgãos estaduais de saúde e das entidades que militam pela causa. “Sem a união da sociedade, governo e das associações não será possível oferecer uma assistência médica de qualidade e igualitária”, afirma.
Considerando a mesma linha de pensamento do médico Bernardo Galvão, a enfermeira Aidê Nunes, membro da equipe multidisciplinar do centro de HTLV da Bahiana, em seu relato sobre a importância do cuidar através da pesquisa e do cuidar por meio da assistência aos pacientes, ela ressalta que “a participação diminuta do estado nas ações que urgem a infecção reduzem a qualidade de vida da pessoa infectada”. A enfermeira adverte que sem o acompanhamento adequado os pacientes podem desenvolver uma série de doenças associadas ao HTLV, como as neurológicas degenerativas graves e de leucemias e linfomas.
Muito emocionada com a presença e o apoio dos parlamentares e associados, a presidente da Associação HTLVida, Adijeane Oliveira, convive com o vírus há mais de cinco anos e enfrenta um processo de paralisia parcial de uma das pernas, um dos efeitos do vírus. Ela reforça a necessidade de ampla participação do estado “para que a assistência chegue ao maior número possível de pessoas, na capital e no interior do estado”. Ela completa afirmando que os centros de atendimento existente na Escola Bahiana de Medicina e no Hospital Universitário Professor Edgard Santos não têm condições de cuidar de todos. “O poder público precisa entender que o cuidado não é apenas com o paciente, ele também se estende às famílias dos infectados, que por ignorância rompem laços, tornando mais grave a condição dessa pessoa, pois isso a urgência de mais centros multidisciplinares”, finaliza.
Na condução dos trabalhos, a deputada Neusa Cadore (PT) parabenizou a força de vontade de Adijeane Oliveira em se lançar nessa causa proporcionando, tanto aos que convivem com o vírus quanto à sociedade o entendimento sobre o que é o HTLV, uma doença desconhecida, mas que exerce forte impacto na vida daqueles que convivem com o vírus.
Para reforçar essa rede em prol da pessoa com HTLV, estiveram presentes na audiência as deputadas Fátima Nunes (PT) e Luiza Maia (PT); Maria Aparecida Araújo, representando o secretário de saúde do estado Fábio Vilas-Boas (Sesab), Rosane Andrade, doutora em HTLV pela Universidade Federal da Bahia, dentre outros profissionais da saúde engajados na causa.
Por motivos outros, a deputada Fabíola Mansur, proponente da audiência, não pode comparecer, mas, através de sua assessoria, deixou claro seu apoio à pessoa com HTLV, ressaltando que o projeto de lei de sua autoria que institui o dia estadual de prevenção e combate ao HTLV-I e II está em tramitação nesta Casa.
REDES SOCIAIS