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Ricardo Castro é agraciado com a Comenda Dois de Julho

Publicado em: 17/10/2015 00:00
Editoria: Diário Oficial

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Uma apresentação dos Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia (Neojiba), na noite de quinta-feira (15), na sala principal do Teatro Castro Alves, marcou a homenagem ao maestro Ricardo Castro, idealizada pelo deputado Marcelino Galo (PT). O petista propôs a concessão da Comenda 2 de Julho, maior honraria concedida pela Assembleia Legislativa a pessoas que contribuíram com o desenvolvimento do Estado. Castro dirigiu as apresentações que encantaram o público com as sinfonias de Ennio Morricone, Piotr Ilich Chaikovski, Frederic Chopin e, Primeiro Mês, de sua autoria, entre outras.

O maior desafio do pianista e maestro aconteceu em 2007, quando implantou e dirigiu, em Salvador, um projeto inspirado no El Sistema da Venezuela e apoiado pelo seu fundador Jose Antônio Abreu. A convite do governo da Bahia, Castro criou a Neojiba, um programa pioneiro no Brasil que completa este mês de outubro oito anos de existência e que utiliza o ensino e a prática coletiva da música como ferramentas para promover a integração, inclusão e o desenvolvimento social de crianças e jovens baianos.

Para se ter ideia da importância do Neojiba, atualmente o projeto beneficia em torno de 4.600 crianças, adolescentes e jovens, a maioria em situação de vulnerabilidade social, e atua em dez bairros da capital baiana com Bases Comunitárias de Segurança e mais 21 cidades do interior do Estado.

Num tempo de avanço das forças conservadoras, onde a pauta política se volta para a criminalização da juventude, com ações iguais à redução da maioridade penal, Ricardo Castro e o Neojiba caminham no sentido oposto. Não no caminho dos que querem imputar à juventude brasileira o problema da violência ou da criminalidade. Ao contrário, Ricardo Castro trilhou o caminho da oportunidade, da convivência entre diferentes, da solidariedade, da responsabilidade social e do amor à humanidade. Uma humanidade que se revela em seu amor pela música. Humanidade que se descortina na sua esperança no futuro dos jovens e crianças que forma. Humanidade que se traduz no sentimento de pertencimento à Bahia e sua opção em contribuir para o desenvolvimento social e cultural da Bahia”, destacou o presidente da Comissão de Direitos Humanos, deputado Marcelino Galo, autor do Projeto de Resolução 2.194/2013, que concedeu a honraria ao maestro.

INSPIRAÇÃO

O maior paradoxo da minha vida foi ter criado o Neojiba, programa para crianças e jovens, a maioria em situação de vulnerabilidade social. A inspiração veio de amigos lutadores do país vizinho, a Venezuela. Ouvi de muita gente que isso não daria certo na Bahia, mesmo assim criamos esse paradoxo vivo que é o Neojiba. Alguém se lembra que não há registro na história musical brasileira de nenhuma outra orquestra ter realizado duas turnês internacionais em dois continentes no mesmo ano?”, recordou Castro.

“Receber a mais alta condecoração que alguma entidade nos concede pode dar aquela sensação de ter chegado no topo da montanha. De dever cumprido. Mas, e depois? Com tantos prêmios e vitórias, o que fazer? O caminho aqui ainda será longo, e a luta feroz. O acesso a essas linguagens artísticas não pode continuar a ser um privilégio de um punhado de pessoas ditas talentosas, profissionais, mas que na verdade são privilegiadas”, pontuou o maestro, que é natural de Vitória da Conquista.

Também prestigiaram a homenagem, os ex-governadores da Bahia Roberto Santos e Waldir Pires e o secretário de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social, Geraldo Reis. 



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