A economia solidária é definida como conjunto de atividades econômicas – de produção, distribuição, consumo, poupança e crédito – organizadas sob a forma autogestão e calcada na preocupação com o outro e com o meio ambiente.
Foi para debater esta temática que a Comissão Especial de Desenvolvimento Urbano (Cedurb) da Assembleia Legislativa da Bahia realizou a audiência pública “Experiências de trabalho e renda: associativismo, cooperativismo e economia solidária em comunidades”. O evento, que aconteceu na manhã de ontem, foi uma iniciativa da presidente da comissão, a deputada Maria del Carmen (PT), e contou com a participação de diversas lideranças comunitárias, além de representações dos movimentos sociais.
O debate teve como objetivo identificar as experiências exitosas que giram em torno desta temática, além de fomentar a construção de uma rede de ações através de estratégias pensadas coletivamente.
De acordo com Maria del Carmen, a Cedurb se torna mais um espaço para se discutir a economia solidária em conjunto com sociedade. “A comissão é mais um instrumento de luta para ajudar a refletir e desenvolver meios de promoção e fortalecimento desta nova alternativa de pensar a economia, disse parlamentar, que se colocou à disposição para ajudar no que for preciso.
A representante do Centro Público de Economia Solidária (Cesol), Dina Lopez, falou sobre a economia solidária na perspectiva do fortalecimento da autonomia feminina. “Dentro do processo do coletivismo, que a economia solidária promove, a mulher, através dos valores da solidariedade, democracia, cooperação e dos direitos humanos, começa a ganhar mais autonomia, por é o tempo todo é ‘obrigada’ a refletir o seu lugar no mundo”, explicou.
Marta Rodrigues, técnica do Programa Vida Melhor Urbano, da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), ainda acrescentou que 85% das pessoas que trabalham com economia solidária são mulheres, e, em sua maioria, afrodescendentes.
O professor e pesquisador em turismo de base comunitária, Alberto Filho, abordou a influência da atividade na economia solidária, citando como experiência exitosa a cooperativa com cerca de 700 pescadores tradicionais, que funciona em São João do Cabrito, e reforçando a necessidade da criação de um marco legal para que o turismo de base comunitária seja reconhecido.
“A economia solidária não deve ser pensada como uma política de combate a pobreza, ela vai além disto: a economia solidária é uma mudança de paradigma do desenvolvimento social, que nos condiciona a refletir o tempo todo este modelo de economia capitalista o qual estamos inseridos”, concluiu Alisson Franklin, do Centro de Estudos Socioambientais Pangea.
CENTRO PÚBLICOS
Na Bahia, ao todo, são 15 centros voltados para a economia solidária instalados em diversos territórios de identidade. Os Cesol’s são espaços multifuncionais públicos, de caráter comunitário, destinados para articular oportunidades de geração, fortalecimento e promoção do trabalho coletivo baseado na economia solidária.
Os centros são instrumentos essenciais para a consolidação de uma política pública transversal para a economia solidária na Bahia, e tem como objetivo oferecer assistência técnica, ações de formação, divulgação, comercialização, crédito, expressão cultural e articulação social e política do movimento de economia solidária. A ação é pioneira em todo o Brasil.
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