MÍDIA CENTER

Assembleia relança obra de referência sobre o cangaço

Publicado em: 09/10/2015 00:00
Editoria: Diário Oficial

Délio Pinheiro disse que o livro mudou sua visão sobre o movimento ocorrido no sertão
Foto: Arquivo/Agência-Alba
Obra de referência sobre o cangaço, o clássico “O Mundo Estranho dos Cangaceiros”, de Estácio de Lima, foi relançado na última quarta-feira (07), no Pantheon do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. Cerca de 300 pessoas lotaram o centenário instituto, e, além de saírem com um exemplar da obra, puderam saber mais sobre a história da confecção original do livro através de palestra do oficial médico da Marinha, Lamartine de Andrade, que foi amigo e trabalhou como assistente do escritor. A obra é o sexto livro do selo Cangaço da editora da Assembleia Legislativa da Bahia e o 155 publicada na gestão do presidente Marcelo Nilo.

A nova edição de “O Mundo Estranho dos Cangaceiros” possui acabamento diferenciado para garantir maior perenidade a este trabalho de caráter científico que investiga o cangaço sob os mais diversos aspectos: da linguagem e vestimentas peculiares, ações principais, roteiros, armamento, topografia regional, clima e ambiente socioeconômico, relações familiares, bem como motivações, atrocidades, mortes, condenações – e comportamento dos cangaceiros após a vida no crime. 

O professor Lamartine de Andrade Lima contou que Estácio de Lima exercia a medicina legal e era presidente do conselho penitenciário. Seu interesse pelo banditismo rural nasceu no final da década de 20. O professor estudou o cangaço cerca de 40 anos até chegar ao formato do livro. Segundo Andrade, Estácio de Lima fazia viagens constantes pelo sertão e conseguia entrevistas com fontes primárias, inclusive cangaceiros presos, os quais ele tinha acesso pelo cargo que ocupava. “O livro analisa de forma minuciosa a influência do meio miserável e hostil que forjou a personalidade dos cangaceiros. A opressão pelas circunstâncias que vivia, reagia com violência. Antonio da Glória teve a irmã estuprada pelo delegado de polícia, matou o delegado e tornou-se bandido. O próprio Lampião teve o pai morto pela polícia", contou Andrade.

O professor Délio Pinheiro, assessor para Assuntos de Cultura da Assembleia, contou que a edição de O Mundo Estranho dos Cangaceiros teve uma história especial. “Cerca de 10 anos atrás o escritor Guido Guerra me perguntou porque a Assembleia Legislativa não editava o livro e insistiu sobre a sua importância histórica. Consegui um exemplar em um sebo especializado, e a obra me causou grande espanto pela sua qualidade, mudou a minha ideia sobre o cangaço”, afirmou Pinheiro.

Ele informou que o presidente Marcelo Nilo gostaria muito de ter comparecido ao lançamento, mas tinha um compromisso em Brasília e que o sucesso do lançamento revela que a relação entre a AL e o Instituto deve se estreitar cada vez mais. “Esse é o primeiro gesto”, afirmou. Já o presidente do IGHB, Eduardo Morais de Castro, disse que o tema cangaço é muito estudado no instituto e que a AL vem contribuindo de forma significativa para o fortalecimento das Letras na Bahia “Esse esforço merece a atenção da sociedade”, completou.



Compartilhar: