Os 85 anos de fundação da Associação Bahiana de Imprensa, ABI, foram comemorados em concorrida sessão especial, requerida pela deputada Fabíola Mansur(PSB), realizada na manhã de ontem. Em todos os discursos foi lembrada a trajetória da entidade em defesa não só da liberdade de expressão, mas do regime democrático de que o Poder Legislativo é o fiador. O governador em exercício, João Leão, prestigiou a cerimônia.
A solenidade foi representativa e ofereceu aos frequentadores da sala das sessões, o plenário Orlando Spínola, a curiosa imagem dos jornalistas não estarem na bancada reservada ao trabalho da imprensa, mas sendo os partícipes dos trabalhos, ocupando os lugares habitualmente destinados aos parlamentares. Compareceram dirigentes da ABI, como o presidente de sua assembleia Geral, Samuel Celestino, e o presidente Walter Pinheiro – além de associações e sindicatos representativos das diversas categorias dos trabalhadores da imprensa baiana.
PARALELOS
Houve um momento de descontração com uma apresentação musical de Sérgio Pataro, que cantou “Alegria Alegria” de Caetano Veloso, que em uma de suas estrofes fala do “...Sol, nas bancas de revistas...” – sendo o Sol, um jornal alternativo da época. Nos pronunciamentos foram traçados paralelos a respeito de ações comuns que uniram muitas vezes ABI e parlamento. Lembrou a proponente episódios históricos em que a imprensa e o parlamento, de mãos dadas, foram baluartes maiores da democracia, sem desistir mesmo quando o arbítrio de instalou. Primeira a discursar, a deputada Fabíola Mansur foi enfática em afirmar que “não existe uma democracia forte sem uma imprensa livre, e muito menos uma imprensa forte sem democracia”.
Ela também lembrou o papel social da imprensa e a importância que a divulgação dos trabalhos na Assembleia (pelos meios de comunicação de massa, através de seus profissionais aqui credenciados,) que ecoam para o resto da comunidade. É através da imprensa, enfatizou ela, que esse papel informativo fornece subsídios e conteúdo para os baianos assim poderem exercer a cidadania de forma crítica.
Em seguida o publicitário Nélson Cadena traçou um painel histórico da ação da ABI na Bahia, sendo seguido pela presidente do Sindicato dos Jornalistas da Bahia, Marjorie Moura, que falou da importância da liberdade de imprensa para a cidadania plena. Em seguida o empresário, jornalista Joaci Góes, que dirigiu a Tribuna da Bahia ainda em plena ditadura, lembrou a época em que era obrigado a ir, seguidas vezes, à Justiça Militar, comando da VIª Região ou Polícia Federal. Lembrou o abrigo que o jornal ofereceu a vários ex-presos políticos que saíam da cadeia para trabalhar no jornal.
Foram à tribuna ainda a diretora da Faculdade de Jornalismo da UFba, Suzana Barbosa, que tratou dos avanços tecnológicos da profissão e da importância da formação para o bom jornalismo, e o presidente da entidade, Walter Pinheiro, que se declarou orgulhoso em poder presenciar tal homenagem. Presenciar a Casa Legislativa do estado agraciar a nossa quase secular instituição, é poder ser testemunha de uma homenagem a todos os jornalistas”, relata. Na oportunidade, Walter parabenizou os colegas de profissão afirmando que graças ao comprometimento e seriedade no fazer jornalismo, “conquistamos grandes avanços, principalmente, a transparência dos atos públicos”, frisou.
O jornalista Samuel Celestino que esteve à frente da associação durante 25 anos, acrescenta que com o engajamento da ABI a democracia da imprensa, pouco a pouco tem satisfeito à sociedade com informações claras e objetivas, valorizando a transparência e o direito à informação. Samuel conta que uma das primeiras ações da associação, que surgiu em um senário de repressão, na instauração do Estado Novo, foi uma nota de repúdio à invasão da então sede do jornal A Tarde, localizada na Rua Chile, no Centro Antigo de Salvador.
O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Nilo, que antecipou o retorno à Bahia para participar dessa comemoração, revela que este é uma data especial para a Casa, pois, saudar os 85 anos de história de representativa entidade é recordar momentos que marcaram as lutas pela livre imprensa e construção da mesma na Bahia. Ante sua larga vivência política o parlamentar, além de considerar os três poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, ele soma a este triunvirato o Ministério Público que fiscaliza as ações dos três poderes, e a imprensa que tem o dever as salvaguardar e assegurar o direito do cidadão à informação séria e comprometida.
A sessão foi encerrada com a fala do governador em exercício João Leão. Para ele a ABI é uma salvaguarda da imprensa na Bahia. Lembrou na época de Getúlio Vargas, a instituição tomou conta do estado com iniciativas firmes em defesa da liberdade de imprensa. “Eu conheço muito bem esse período da nossa história, meu pai era jornalista, dono de um jornal, e nós sabíamos muito bem o que era escrever a verdade em um momento ditatorial”.
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