A benção aos mais velhos e os mais novos. Assim começou a sessão especial em homenagem aos 55 anos de existência do Ilê Odô Ogê – Terreiro Pilão de Prata – e os 70 anos de iniciação religiosa do seu fundador, Pai Air de Oxaguiã. Proposto pelo deputado Bira Corôa (PT), presidente da Comissão Especial de Promoção da Igualdade, o evento contou com a presença de personalidades e referências das religiões de matrizes africanas na Bahia, além de autoridades das esferas estaduais e municipais.
Fundado em janeiro de 1961, por Air José Souza de Jesus, Pai Air de Oxaguiã, o Terreiro Pilão Prata (Ilê Odô Ogê) está situado no Alto do Caxundé, bairro da Boca do Rio, em Salvador. Pai Air tem como grande responsabilidade zelar pelo culto ao orixá Xangô, herança ancestral legada por seu triavô, Bamboxê Obitikô. O babalorixá Air José Bámgbósé, iniciado na religião aos cinco anos, representa a quarta geração da dinastia religiosa iniciada pelo babalaô Bámgbósé Obítikó, sacerdote de Xangô e membro do reino de Oyó, que chegou em Salvador na década de 30 e tornou-se personalidade central na fundamentação litúrgica do candomblé ketu no Brasil.
A sessão estava envolvida por uma energia positiva que contagiou todos os presentes, em especial a secretária de Promoção da Igualdade Racial do Estado, Vera Lúcia Barbosa. Em seu emocionado discurso, ela deixou claro a importância da construção de valores desenvolvidas pelos terreiros. “Homenagear, reconhecer e sobretudo registrar para que seja escrito nos livros de Casas como essa, que constituem o poder e a história do nosso estado, para que atos como esses, para que outros que vieram saibam, o papel que as religiões de matrizes africanas incidem na construção da nossa história”, afirma.
O Pai Air de Oxaguiã, que comemorou os seus 75 anos de idade e 70 de vida religiosa com seus familiares que vivem em Oió, na parte oriental da Nigéria, vê o reconhecimento do petista como uma valorização dos pilares sustentados e mantidos pelo candomblé, em especial ao Terreiro Pilão de Prata. “Eu me sinto muito agradecido e satisfeito com tamanha homenagem, que estendo a Deus, aos meuis Orixás que me guiam e a todos os meus filhos e filhas de santo, que assim como eu se sentem agraciados nesse momento”, afirmou.
Para o proponente da sessão, Pai Air é um exemplo de herança e ancestralidade. “É uma referência para a Bahia em relação a manutenção, resistência e perpetuação do que o candomblé representa para a sociedade baiana e brasileira”, elogiou Bira, sublinhando que toda a estrutura político-social e econômica do país se dá pela contribuição do candomblé “e o culto a personalidades como Pai Air, é uma forma de reafirmação da nossa responsabilidade”.
“Hoje é o dia de reconhecimento e agradecimento do seu trabalho, Pai Air, que sempre foi dedicado aos seus filhos e filhas de santo, além da sua contribuição no ensinamento da nossa cultura, possibilitando que as gerações futuras possam ter acesso à sua descendência”, ressalta Bira.
O vereador Sílvio Humberto acrescenta que esse é o momento de celebrar a cultura e principalmente a ancestralidade, de agradecer à contribuição do homenageado. “Temos que celebrar a consagração desse grande homem, que pode ser descrito como um homem de profunda generosidade, acolhimento, cuidado e ensinamento. É um homem que emana uma energia ímpar que consegue embevecer todos que estão em sua presença”, conta o vereador.
HOMENAGEM
Das mãos do Capitão Tiago da Casa Civil, ele recebeu o prêmio “Sociedade de Preservação – Asé Bámgósé”, como uma reverência do mandato do deputado Bira Corôa, às ações de perpetuação do Pai Air à sociedade e à cultura afro-brasileira.
MESA
A Mesa dos Trabalhos foi composta por Arany Santana, diretora do Centro de Culturas Populares e Identitárias da Secretária de Cultura do Estado; o Ogan do terreiro Casa Branca, Antônio Luiz; Tata Anselmo do terreiro Makambo; Mãe Helenice Brito do terreiro Ilê Axé Omim J'Oba e do Major da Polícia Militar, Paulo Peixoto.
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