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Canto sertanejo da Quixabeira toma o plenário da Assembleia

Publicado em: 12/09/2015 00:00
Editoria: Diário Oficial

O deputado Gika Lopes (PT) trabalha na busca de meios para fortalecer o movimento. Marcelino: "A Quixabeira é mais forte que a estiagem, é mais grudada do que a moda".
Foto: Neusa Menezes/Agência-Alba

“O mundo sertanejo é feito de saberes e sabores que formam o conhecimento do povo do lugar. As dificuldades são musicadas, ritmadas”, poetizou o parlamentar Marcelimo Galo (PT), ao abrir a sessão especial nesta sexta em homenagem ao Movimento Quixabeira. Marcelino Galo e Gika Lopes (PT), que solicitaram a homenagem, ressaltaram que o objetivo da discussão é entender a importância do movimento para a cultura nordestina e “buscar meios para o seu fortalecimento”. 

“É importante a gente dar visibilidade e fortalecer o movimento Quixabeira, que é uma tradição com os cânticos dos trabalhadores rurais, que expressa suas heranças e a identidade no campo”, afirmou Gika.
Marcado pela tradição de resgate da cultura dos cânticos do trabalhador rural, que expressam aspectos relativos às suas heranças e vivências, o Movimento Quixabeira é dividido na Bahia em cinco regionais nos territórios de Feira de Santana, Valente, Alagoinhas, região de Serrinha e de Araci.

Durante a manhã de homenagens, os presentes no Plenário puderam ouvir o canto dos trabalhadores; prestigiaram a homenagem in memorian a Bernard von der Weid, maestro, pesquisador importante para a valorização da Quixabeira e que foi representado por familiares; além do debate para tornar o movimento cultural Patrimônio Imaterial da Bahia. 

Participaram do evento a deputada petista Maria del Carmen; Carlos Henrique, representante do Ministério da Cultura; José Leoncio, primeiro presidente do Movimento Quixabeira; Maria José, atual presidente do Movimento; Ismael Ferreira de Oliveira, prefeito de Valente; Arivaldo dos Anjos Damião, prefeito de Lamarão; o gerente de patrimônio do Instituto do Patrimônio Artístico Cultural da Bahia (IPAC), Roberto Pelegrino; e Rosilene dos Santos, representante da família de Bernard von der Weid.

RESISTÊNCIA

A Quixabeira é um movimento que começou a partir de uma pesquisa feita pela senhora Maria José de Oliveira dos Santos, no final da década de 80, e a partir dela foi produzido o disco “Da Quixabeira pro berço do rio”. O sentido era dar ao trabalhador/compositor as mesmas condições que um músico profissional tem.
“Os cânticos e as músicas da Quixabeira são como o umbuzeiro e o mandacaru, resistem à aculturação das redes de rádio e de TV, porque estão enraizados na consciência do povo, dos homens, das mulheres, dos meninos e das meninas. A Quixabeira é mais forte que a estiagem, é mais grudada do que a moda, embora a onda e o desprezo ao que é do povo seja bastante visível pelos que detêm o poder”, ressaltou Galo. O movimento, que foi criado há 20 anos, não tem uma renda pra sustentação e sobrevivência.

FORTALECIMENTO

Com a ausência de uma renda, os representantes do movimento pedem o reconhecimento do poder público. “Sempre estamos batendo na porta de um companheiro com boa vontade para nos ajudar, mas queremos nossa independência”, destacou José Leoncio. 
Precisamos de uma pasta na Secretaria de Cultura do Estado e também no Ministério. Segundo o primeiro presidente do Movimento, só com o reconhecimento a Quixabeira vai poder proporcionar oficinas, festas e alegrias para o povo do sertão. “Só assim voltamos para casa na certeza de continuar esse projeto”. Com apoio dos representantes presentes e dos parlamentares, Gika concluiu reafirmando que o movimento não pode morrer: “Que o Quixabeira permaneça por muito tempo”, disse.





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