Ao longo de 12 anos ininterruptos, o secretário do Trabalho, Emprego e Renda (Setre), Álvaro Gomes, discursou no plenário em quase todas as sessões e, em muitas das ocasiões, diversas vezes no mesmo dia, tornando-se o deputado que mais realizou pronunciamentos na história da Assembleia Legislativa. Na tarde de ontem, no entanto, ao voltar à tribuna tão conhecida, ficou sem palavras por longos segundos. Homenageado pela Casa com o Título de Cidadão Benemérito da Liberdade e da Justiça Social João Mangabeira, Álvaro deixou que a emoção lhe tolhesse a voz.
Conhecido por quase sempre falar de improviso, Álvaro optou por ler seu discurso, no qual agradeceu aos deputados pela honraria, em especial a Euclides Fernandes (PDT), autor da proposta aprovada por unanimidade, lamentou a morte da irmã do pedetista, Maria José, na manhã de ontem, prestando um minuto de silêncio, e contou a história de João Mangabeira. Mas ao falar do exemplo dos pais, João Colombo e Diva, e antes de citar as filhas Juliana e Lara, e a namorada Sulamita, as palavras foram saindo com dificuldade em meio a espaços silenciosos, algo inédito na vida pública do militante do PC do B.
“Deixei esta Casa parlamentar no ano passado por não lograr êxito nas eleições para um novo mandato”, disse, afirmando ter se despedido “com sentimento do dever cumprido”. Ele lembrou que, somente em 2014, recebeu três premiações por ser o deputado mais assíduo, o que mais fez intervenções na Legislatura e Destaque Parlamentar, “título que ainda acumulei nas duas legislaturas anteriores”. Ele classificou seu trabalho à frente da Setre como um novo desafio.
Sobre a conjuntura política, Álvaro alertou para a “ameaça golpista por meio das armas da comunicação”, revelando preocupação com os desdobramentos. “Atravessamos uma tempestade e navegamos em mar revolto no ambiente da política. É uma situação própria do processo democrático, difícil, mas infinitamente melhor que o silêncio da ditadura”.
Com a ausência do proponente da sessão, que foi obrigado a viajar para comparecer ao enterro da irmã, coube ao deputado Luciano Simões Filho (PMDB) fazer a saudação a Álvaro. O parlamentar afirmou ser “um prazer exercer o dever de solidariedade” ao substituir Euclides na homenagem a um dos “deputados mais brilhantes que já passaram por esta Casa”. Ressaltando que leria o discurso preparado pelo colega pedetista, Simões garantiu que a concessão do título não era uma cortesia de ex-colegas, mas “o reconhecimento a um cidadão competente que tem deixado sua marca por onde passa, desde a época do Sindicado dos Bancários” até agora na Setre, onde “em pouco mais de oito meses tem levado ao pé da letra a missão de promover o trabalho decente, o emprego, a renda o artesanato e o esporte”.
O presidente Marcelo Nilo também se pronunciou pouco antes de ter que deixar o plenário, ressaltando a honra de ter sido seu colega tanto na bancada de oposição como na de governo, durante 12 anos. Brincando, ele disse que Álvaro só lhe tomou o título de parlamentar com maior número de pronunciamentos, porque ele assumiu a presidência da Casa. Nilo demonstrou confiança de que o povo baiano elegerá Álvaro para um novo mandato de deputado. “Esta Casa sente a sua falta”, afirmou.
A mesa dos trabalhos foi composta ainda pelo desembargador Lidivaldo Britto; a procuradora Márcia Virgens; o subdefensor Público Rafson Ximenes; o secretário da Administração Penitenciária e Ressocialização, Nestor Duarte; os vereadores Aladilce e Everaldo Augusto; a consulesa de Cuba para o Nordeste em Salvador, Laura Pujol; a filha de Álvaro, Lara Vânis; o presidente da CBPM, Alexandre Brust; o cantor Adelmário Coelho; Geraldo Galindo, representando o PC do B; e o presidente do Sindicato dos Bancários, Augusto Vasconcelos. A sessão especial foi animada pelas apresentações do coral da Setre e das Ganhadeiras de Itapuã.
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