A Comissão de Saúde e Saneamento, presidida pelo deputado Alan Sanches (PSD), promoveu audiência pública para debater um assunto de significativa relevância para sociedade brasileira e baiana, que é a “violência no trânsito sob duas rodas”. A sessão foi proposta pelo deputado Alex da Piatã (PMDB), que enxerga no pleito uma coerente via de elaboração de medidas eficazes para coibir esse grave problema, contou com a participação do secretário de Saúde, Fábio Vilas-Boas e o diretor-geral do Detran na Bahia, Maurício Bacelar.
De acordo com dados registrados pelos órgão de trânsito e de saúde nacionais e estaduais, os índices nacionais relacionados a acidentes envolvendo carros e motociclistas chegaram a 42.266 em 2013, sendo que desse total 12 mil correspondem ao envolvimento de veículos de duas rodas. Na Bahia, no Hospital Geral do Estado (HGE), em 2013, foram atendidos 6.190 pessoas com sérios traumas provenientes de colisões no trânsito 30% engloba motociclistas. Ainda dentro dos dados referentes à Bahia, de janeiro a julho de 2015, a estatística aponta 2.926 vítimas de acidentes com moto.
O Sistema Único de Saúde revela investir pouco mais de 30% do seu orçamento anual em atendimentos a pessoas com traumas e sequelas de acidentes desta natureza. Dentro dessa perspectiva, o presidente da Associação Baiana de Medicina de Tráfego (Abamet), o médico Antonio Meira, conta que tais colisões representam, hoje, um grande problema que vem destruindo vidas no país e na Bahia. “Este não é um assunto que envolve apenas as leis trânsito. Engloba a saúde, a educação desses condutores e uma série de medidas que venham a modificar esse cenário”, revela Antonio. Ele também aponta que a Bahia está acima da média nacional em acidente. O estado registra 30% das ocorrências de todo o país.
CRISE
Para o secretário de Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas, um dos fatores preponderantes para o estado de crise da saúde baiana está relacionado ao “grande número de pessoas vítimas de traumas seríssimos que constantemente são atendidas nas unidades especializadas”. Fábio aponta que mais de 60% dos casos é por imprudência por parte dos condutores. “Esse é o momento de pensarmos o plano, principalmente de educação e qualificação desses motoristas, seja por meio de uma fiscalização eficaz, que cobre o uso dos equipamentos de segurança e o respeito às determinações do código”, pontua Fábio.
Maurício Bacelar, diretor do Detran, completa as afirmações do secretário de Saúde e acrescenta dizendo que a Bahia tem aproximadamente um milhão de motos emplacadas, que em sua maioria servem de transporte complementar para a população, haja vista que o sistema de boa parte do estado, capital e região metropolitana não atende a demanda de seus habitantes. “Ainda que estado e prefeituras tenham empenhados esforças para prestar maior assistência no quesito mobilidade urbana, muito ainda precisa ser feito”, diz Maurício. Ele declara que o Detran tem promovido inúmeras campanhas no sentido de qualificar e principalmente conscientizar os motociclistas.
Os deputados Alex da Piatã e Alan Sanches acreditam que as ações moldadas para desconstruir esse cenário problemático devem ser postas em prática a curto prazo. Alex ressalta que a atual conjuntura requer medidas incisivas e principalmente efetivas, “pois não adianta ter normas e regras que não são efetivamente cumpridas”. O peemedebista frisa a questão da educação no trânsito e a exigência dos equipamentos de segurança, que assim como Fábio Vilas-Boas, o parlamentar acredita ser um dos pontos fundamentais à redução dos números.
Além das proposições trazidas pela comissão, foi debatido também a instalação do Conselho Estadual para Diminuição dos Acidentes de Trânsito, que pretende ser mais um braço forte na luta contra o aumento da estatística de colisões com vítimas de qualquer natureza. Estiveram presente à sessão os deputados Herzem Gusmão (PMDB), Bobô (PC do B), Alan Castro (PTN), Augusto Castro (PSDB), Fabíola Mansur (PSB), Fátima Nunes (PT) e Ângela Sousa (PSD), além do vereador Duda Sanches.
REDES SOCIAIS