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Senador analisa os desafios da atual situação política do país

Publicado em: 21/08/2015 00:00
Editoria: Diário Oficial

Otto garantiu que vai continuar trabalhando para honrar a homenagem
Foto: Arquivo/Agência-Alba
O senador Otto Alencar ocupou a tribuna para o discurso de agradecimento e, ao longo de 45 minutos, falou sobre a conjuntura política nacional, sua visão de vida pública, citou nominalmente todos os que se encontravam na mesa e muitos dos que se encontravam em plenário, fez homenagens a funcionários da Assembleia e políticos com os quais conviveu. Tudo alternando a seriedade que o tema abordado exigia com pilhérias que arrancaram gargalhadas da plateia.

“Muito obrigado Euclides, de coração, tenha absoluta certeza que vou honrar esta medalha com trabalho, dedicação e ética na política para que eu seja sempre digno de confiança do povo da Bahia”, disse. Ele enfatizou a importância da ação transparente do homem público e agradeceu particularmente ao Ministério Público, como “um grande amigo que me ajudou muito a não errar, a não cometer um erro”. 

Como exemplo, ele citou a licitação dos ferry-boats, quando era secretário de Infraestrutura. Antes de homologar, enviou o edital ao MP, onde ficou 60 dias. “Só homologuei com o parecer favorável da promotora Rita Tourinho”, contou, lembrando que, durante a campanha eleitoral, os adversários tentaram explorar o fato. “Não há coisa pior do que a pessoa ser acusada injustamente”, mas mostrei o parecer do MP, que me defendeu.

Otto lamentou que “no Brasil está virando regra geral o prejulgamento sem direito de defesa, mas a lei prevê o direito à defesa em todas as instâncias e é importante que os olhos vigilantes do Judiciário e do Ministério Público observem para que o Brasil possa viver dias melhores”. Sobre a crise pela qual o país está passando, ele afirmou que acredita em uma saída. “O presidente Fernando Henrique Cardoso enfrentou três crises e conseguiu superar, tomando as medidas certas e o apoio do povo brasileiro”, disse, complementando. “Aposto e confio na saída da crise, mas não com agressão e violência (na capoeira, Mestre Bimba dizia que 'recuar também é golpe'). O momento não é adequado para os exaltados, que querem rasgar a Constituição, o direito do cidadão eleito pelo povo”, considerou, concluindo que “em minha vida, nunca vi nada de bom acontecer pela mão dos exaltados. Até hoje só vi acontecer pela mão dos moderados coisas supremas que resolveram as dificuldades sociais do povo”.

SÃO FRANCISCO

Otto tem dedicado seu mandato à defesa dos mananciais, nascentes e afluentes dos rios. Citou seu projeto de isentar do Imposto Territorial Rural os proprietários que reflorestarem as beiras de rios. “As estatísticas mostram que a população cresce sete vezes enquanto a produção de água aumenta três vezes”, disse, ressaltando que sem matas ciliares não há rio. Ele demonstrou especial preocupação e profundo conhecimento da situação do Rio São Francisco, que era navegável em quase 50% de seus 2,7 mil quilômetros e hoje nem uma canoa consegue passar.

“Ninguém pode negar que um rio está morrendo quando ele deixa de empurrar o mar e passa a ser invadido”, disse, explicando que o mar já avançou 15km sobre o leito do Velho Chico. “Hoje já se encontram peixes de água salgada a 15km da foz”, informou, ressaltando que, se nada for feito, “em oito ou dez anos um governador vai ser obrigado a colocar uma placa na Serra da Canastra com os dizeres “aqui jaz o Rio São Francisco”. Ele ocupou boa parte do seu pronunciamento explicando o que precisa ser feito e o que vem sendo feito, elogiando a ação harmônica com os senadores Walter Pinheiro e Lídice da Mata.

Otto entremeou o tema político e ações da vida pública com lembranças e citações de pessoas que estiveram presentes em sua vida. Citou os deputados com os quais compartilhou uma cadeira na Casa, homenageando postumamente o “presidente Luís Eduardo Magalhães, o líder Eliel Martins e o meu opositor ferrenho Paulo Jackson”. Chamou pessoalmente alguns funcionários da Casa, mostrando afeto, respeito e até gratidão. Ele também afirmou ter aprendido muito no Tribunal de Contas do Estado, onde deixou muitos amigos. Ao longo do pronunciamento, ele falou de capoeira sua experiência no Exército, onde serviu em 1973 e do internato no Colégio Dois de Julho, onde se dedicou obstinadamente para alcançar a medicina.



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