O desafio da mulher contemporânea na cultura do espaço público foi tema de um simpósio que acontece até esta sexta-feira, 14, dentro da programação do XI Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (Enecult), na Universidade Federal da Bahia. A Assembleia Legislativa esteve representada pela deputada estadual Neusa Cadore (PT), coordenadora da subcomissão de Autonomia Econômica da Mulher, que falou sobre os desafios da participação feminina na política e as estratégias para uma maior inserção nos espaços de poder.
Coordenado pela professora Linda Rubim, do Grupo Miradas, o ato contou ainda com a presença da professora Flávia Biroli (Universidade de Brasília), de Maria Quitéria (Presidenta da União das Prefeituras da Bahia), da secretária estadual de Políticas para Mulheres, Olívia Santana, e da pesquisadora Sônia Jay Wright. Estudantes, militantes feministas e representantes de organizações sociais também prestigiaram o encontro.
A professora e escritora Flávia Biroli apresentou um profundo debate sobre a temática, fruto das suas reflexões teóricas e de pesquisas. Ela destacou que as lutas feministas e as conquistas de direitos pelas mulheres tiveram grande impacto na organização das relações sociais e forma especial na vida das mulheres, mas afirmou que é preciso pensar nas questões estruturais e ideológicas que perpassam ainda as relações de gênero. "A divisão sexual do trabalho permanece como fator fundamental na diferenciação da posição de mulheres e homens e na reprodução das desigualdades de gênero", frisou.
A deputada Neusa afirmou que as mulheres ainda são sub-representadas, ocupando apenas 10% dos cargos eletivos, e que ainda têm muita dificuldade de enfrentar o sistema político, seja por dificuldade financeira, pela sobrecarga de trabalho e porque a sociedade não enxerga natural uma mulher fazer parte do espaço público. Mas disse que é preciso romper com esse paradigma e com as construções culturais que oprimem a participação feminina. "As mulheres fazem militância no movimento social, mas é imprescindível que a gente procure ocupar de forma mais igualitária esse espaço de poder porque é na política que são tomadas as decisões que afetam a vida das pessoas", destacou Neusa.
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