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Audiência debate ação policial contra a juventude negra

Publicado em: 14/08/2015 00:00
Editoria: Diário Oficial

Evento realizado ontem no Legislativo foi idealizado pela deputada Luiza Maia
Foto: Arquivo/Agência-Alba
A ação da Polícia Militar da Bahia em relação a juventude negra esteve na pauta da Assembleia Legislativa. Na manhã de ontem, o mandato da deputada Luiza Maia (PT) promoveu audiência pública sobre o genocídio da juventude negra. O debate integrou as comemorações pelo Dia Internacional da Juventude, celebrado no dia 12. 

Segundo o Mapa da Violência 2014, homicídios contra jovens negros chegam a 76,9% no país. Para falar sobre isso, a deputada convidou José Cristiano Lima, coordenador da Juventude na Secretaria de Promoção da Igualdade Racial; Dr. Wilson Matos, secretário de Articulação Institucional da Uneb; Pedro Correia, da Associação de Grêmios e Estudantes de Salvador; Anderson Dória, representante da Juventude do PT; DJ Branco, secretário-executivo do Conselho do Desenvolvimento da Comunidade Negra da Bahia; Raquel Alvez, do Coletivo Flor de Mandacaru; Jabes Soares, coordenador Estadual de Juventude; e Agnaldo Almeida, do Conselho Estadual de Juventude (Cejuve).

O racismo institucionalizado nos órgãos públicos é um dos maiores entraves para debater o genocídio da juventude negra, segundo os palestrantes. Por isso, Luiza Maia defende que é necessário dar visibilidade à questão e ouvir quem sofre na pele essa violência cotidiana. “Dar voz à juventude que luta por seus direitos, direito de viver, é uma obrigação do poder público”. Para a deputada, é necessário reconhecer que existe o fenômeno de extermínio dos jovens negros e deve ser visto como problema de Estado e não de governo.

A falta de estrutura adequada nas escolas públicas, de atrativos na educação e de políticas públicas voltadas para a cultura de rua também são apontados como problemas para deixar a juventude em situação de vulnerabilidade. “O extermínio da juventude negra está escrito na história do Brasil. O Estado precisa se preocupar com o bem-estar da população, a lógica tem quer mais Estado e menos mercado”, defendeu Wilson Matos. 

A guerra ao tráfico também foi apontado como impulsionadora da morte dos negros. A jovem Raquel Dias lembrou que nenhum jovem conhecido dela morreu por overdose de drogas, mas muitos foram assassinados por causa dessa guerra. Na oportunidade, o DJ Branco criticou o secretário de Segurança Pública, Maurício Barbosa. “São mais de 25 mil assassinados na gestão dele, precisamos também acabar com os autos de resistência”. O DJ ainda lembrou que o governo do Estado é o maior anunciante de programas sensacionalistas que criminalizam a juventude negra.

“E o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, quer encarcerar a juventude negra nesta missão dele de reduzir a maioridade penal, que não resolve o problema”, disse Jabes Soares. A solução para Wilson Matos é uma política de inclusão social vinculada a melhoria das escolas públicas e do sistema prisional. O professor também defende o debate pela desmilitarização das polícias e a reconfiguração da ideia de comunidade nacional.

Durante o evento, foi aprovada uma moção em solidariedade a comunidade quilombola Rio dos Macacos e uma moção em repúdio aos policiais assassinos dos jovens do Cabula.







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