Com a participação de representantes do governo do Estado, prefeituras e da União dos Municípios da Bahia (UPB), a Comissão de Desporto realizou ontem audiência pública que discutiu as copas do interior e os desafios para fortalecer o esporte amador na Bahia. Criadas em 2007 pela Sudesb (Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia), autarquia vinculada à Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, estas copas mobilizaram desde então 981 equipes, realizaram 3.244 jogos, envolveram 28.060 atletas, 11.884 árbitros e 9.220 dirigentes, segundo dados apresentados por Ney Santos, da equipe técnica do órgão.
Para o presidente da comissão, deputado Bobó (PC do B), estas competições regionais aquecem a economia das cidades, abrem perspectiva de emprego e renda e aproximam os municípios, em uma ampla ação social. Proposta pela petista Neusa Cadore, a audiência de ontem teve por objetivo “escutar” os envolvidos com o esporte na Bahia e “sensibilizar o governo do estado” para a elaboração de políticas públicas que garantam apoio ao deporto baiano.
A deputada está na expectativa sobre o que irá dispor o orçamento do Estado para 2016, a ser entregue ao Legislativo no próximo mês. Ela espera que o esporte seja tratado “com mais carinho”. Mas a falta de recursos é um problema crônico. Ney Santos, da Sudesb, aproveitou e fez um apelo aos parlamentares para que trabalhem junto aos seus prefeitos e os convençam a aplicar “1% do orçamento” público no esporte. “Resolveriam o problema”, garante o técnico da Sudesb.
CRISE
Em defesa dos municípios, o assessor especial da presidência da UPB, Ricardo Marcelo, adianta que as prefeituras, neste momento de crise generalizada no país, “têm tido quedas infinitas na arrecadação do ICM” e não aguentam com as despesas. O governo tem que participar, “dar uma contrapartida”, em dinheiro ou em material. Mas tem que contribuir.
Caso contrário, adverte, muitos municípios ficarão de fora das competições e copas regionais deixarão de existir, como já acontece, informa, na região de Entre Rios, onde as cidades já “não participam mais das competições intermunicipais”. O esporte, adianta Ricardo Marcelo, por força das necessidades de investimento dos municípios em áreas mais prioritárias, acaba ficando em segundo plano e o futebol “vira baba”.
Mas para Sinval Vieira, técnico da Sudesb, é preciso um trabalho de conscientização dos prefeitos. Eles sempre argumentam que “têm outras prioridades, como a saúde e educação, mas o esporte é tudo isso e muito mais”, assegura. E citando os ganhos com a realização das copas do interior, ele informa que somente no ano de 2010 “46 jovens” conseguiram seu primeiro emprego através das competições, que têm revelado também jovens árbitros, como Rafael Luiz, Moisés e Zé Lourenço. “O talento está no interior”, aponta Vieira.
ECONOMIA
Na análise de Ney Santos, as competições mexem com a “economia formal e informal dos municípios, dentro e fora dos estádios” e adianta que faltam apenas duas regiões (o Oeste, com a Copa da Soja; e o Sul, com a Copa do Cacau) para a Bahia ter estas competições realizadas em todas as regiões. E ele aponta o caminho para a organização das competições: a criação de consórcios, como os já existentes nas regiões do Sisal e do Jacuípe, por exemplo, que reúnam os municípios e administram os certames.
Walcyr Rios, secretário executivo do Consórcio do Jacuípe, ensina: os 20 municípios que integram a entidade elaboraram um Plano Plurianual e estabeleceram metas e programas, como o Viva o Esporte. É um desafio, admite, mas segundo a deputada Neusa Cadore, é também um sucesso!
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