A Assembleia Legislativa homenageou ontem pela manhã, em sessão especial, proposta pelo deputado Zó (PC do B), os 150 anos da Batalha do Riachuelo, com a presença de representantes das três forças armadas, destacando-se em grande número a Marinha do Brasil.
A solenidade foi presidida pelo deputado Luciano Simões Filho (PMDB), que convidou os componentes da Mesa. Em seguida, aconteceu a execução do Hino Nacional pela Banda do Corpo de Fuzileiros Navais. A sessão contou com vídeo sobre a estratégica Batalha Naval do Riachuelo, uma das maiores vitórias do Brasil no campo das guerras.
A mesa foi formada pelo deputado Zó, proponente da homenagem; o vice-almirante Luiz Henrique Caroli, comandante do 2º Distrito Naval; do ex-comandante do 2º Distrito Naval, vice-almirante Arnon; pelo comandante da 6º Região Militar, general de Divisão Artur Costa Moura; comandante da Base Aérea de Salvador, tenente coronel Aviador Marcello Lobão Schiavo; pelo subdefensor Público, Rafson Saraiva Ximenes; comandante da Base Naval de Aratu, capitão de Mar e Guerra, Márcio Tadeu Francisco Neves; chefe do Estado Maior, capitão de Mar e Guerra, Paulo César Soares Pinheiro; diretor do Hospital Naval de Salvador, capitão de Mar e Guerra, Antônio Carlos Barbosa Nardin Lima; diretor do Centro de Intendência da Marinha, capitão de Mar e Guerra Ricardo Silva Pinheiro de Souza; e pelo Presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia- Eduardo Morais de Castro.
O deputado Zó fez questão de destacar em seu discurso que a Batalha do Riachuelo contra o Paraguai é considerada pelos historiadores como decisiva para o desfecho do maior conflito militar na América do Sul e um marco para o país. “Como não admirar a Batalha do Riachuelo? Como não admirar as estratégias para vencer essa batalha? Força, coragem, determinação e amor a pátria são elementos que os marinheiros de hoje, herdam daquelas que bravamente e estrategicamente fizeram parte da Batalha do Riachuelo”, destacou Zó, proponente da homenagem pela Assembleia num trecho do seu discurso.
Durante a sessão foi lida uma mensagem da presidente da República Dilma Rousseff sobre a vitória brasileira na guerra do Paraguai, parabenizando e destacando a importância desse heróis e de todas as Forças Armadas do país. Depois do agradecimento pela homenagem feito pelo Comandante do 2º Distrito Naval, vice-almirante Luiz Henrique Caroli, a Banda dos Fuzileiros executou o Hino Canção do Marinheiro. No encerramento da sessão, aconteceu um coquetel com exposição de réplicas dos navios de guerra utilizados na batalha.
HISTÓRIA
A Batalha Naval do Riachuelo travou-se em 11 de junho de 1865 às margens do arroio Riachuelo, um afluente do rio Paraguai na província de Corrientes, na Argentina. Essa batalha é considerada pelos historiadores militares como uma das mais importantes da Guerra do Paraguai, travada de 1864 a 1870.
No cenário dessa batalha, constava que a bacia do rio Prata era estratégica para as comunicações entre o Oceano Atlântico e os contrafortes orientais da Cordilheira dos Andes. O transporte de pessoas, animais e de mercadorias era feito pelos rios, uma vez que quase não havia estradas até a segunda metade do século XX. O país que controlasse a navegação de seus rios, mas principalmente a sua foz, controlaria o interior do território e a sua economia.
O Paraguai não tinha uma saída direta para o mar, uma vez que a bacia estava em mãos da Argentina e do Uruguai, este último em constante disputa entre os interesses da República Argentina e o Império do Brasil. Por essa razão, as fortificações mais importantes do Paraguai tinham sido erguidas nas margens do baixo curso do rio Paraguai.
No início do conflito, as tropas paraguaias já haviam ocupadas áreas da então Província do Mato Grosso (atual Estado do Mato Grosso do Sul), no Império do Brasil e da República da Argentina. Se vencessem a batalha do Riachuelo, poderiam navegar livremente pelo rio Paraguai, descer o rio Paraná, conquistar Montevidéu no Uruguai, e de lá, ocupar a então Província do Rio Grande do Sul. Formar-se-ia assim o Grande Paraguai, que se abriria ao comércio atlântico com as demais nações.
TAMANDARÉ
Coube ao almirante Joaquim Marques Lisboa, Visconde de Tamandaré, depois Marquês de Tamandaré, o comando das Forças Navais do Brasil em operações de guerra contra o Paraguai. A Marinha do Brasil representava praticamente a totalidade do Poder Naval presente no centro das operações. O Império do Brasil foi representado pela Armada Imperial Brasileira e pelo Corpo de Fuzileiros. Os comandantes foram Almirante Barroso e Capitão Secundino. A força naval contou com 2.287 combatentes, sendo 1.113 da Marinha, 1.174 do Exército, nove navios com 59 canhões, uma fragata três corvetas e cinco canhoeira. As baixas na Batalha do Riachuelo foram 104 mortos, 142 feridos, um navio afundado e dois navios encalhados.
Já as forças do Paraguai foram representadas pela Marinha de Guerra do Paraguai e o Exército. Os comandantes foram Comodoro Mezza, Tenente Robles e Coronel Bruguez. No setor naval contaram com 1.472 combatentes, sete navios com 38 canhões e seis chatas. Na parte terrestre foram 1.200 soldados, 22 canhões e duas baterias congreve. As baixas foram 351 mortos, quatro navios afundados e seis chatas afundadas.
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