Os deputados estaduais Zó (PC do B), Luiza Maia (PT) e Luciano Simões Filho (PMDB) viraram carranca na semana passada, mas um por bom motivo: a defesa do Rio São Francisco, ou o Velho Chico, como também é conhecido na Bahia e nos outros estados que ele corta. Em moções de congratulações apresentadas na Assembleia Legislativa, eles lembraram a passagem do Dia Nacional em Defesa do Velho Chico, dia 3 de junho, e se integraram às manifestações pela revitalização do rio.
Escultura produzida em madeira e usada na proa das embarcações que navegam pelo São Francisco, a carranca é o mote de um dos slogans que fazem parte da campanha de defesa do rio: “Eu viro carranca para defender o Velho Chico” . O outro slogan, também citado pelos deputados nos documentos, é “Todos somos Chico”. A nova campanha em defesa do rio é promovida pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) e visa chamar atenção, sobretudo, para necessidade de revitalizar o Velho Chico.
Para Zó, a campanha deve envolver toda sociedade da Bacia do Rio São Francisco - uma população de cerca de 20 milhões de pessoas, localizada em 504 municípios ao longo dos estados de Goiás, Minas Gerais, Alagoas, Sergipe, Distrito Federal, Pernambuco e principalmente Bahia. “Dessa forma, estamos na torcida para que o manifesto 'Eu viro Carranca para Defender o Velho Chico' atinja seu objetivo: a assinatura do Decreto Presidencial que cria o conselho gestor do Programa de Revitalização da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco e a prorrogação do referido programa”.
Zó observou, na moção, que cada “carranca” clama que o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), faça parte das discussões para reverter o quadro de degradação ambiental na bacia do São Francisco - “o que é de suma relevância não somente para os 20 milhões de pessoas ribeirinhas que são diretamente ligados ao rio, mas para a toda a sociedade brasileira”.
Já a deputada Luiza Maia (PT) lembrou que o momento para defesa do rio é histórico e justificou: “Estamos em um cenário da mais profunda estiagem, possivelmente a pior dos últimos 80 anos, e fortemente associado ao descaso histórico com a preservação do rio que une o Nordeste brasileiro e este por sua vez a Região Sudeste, através de Minas Gerais”, afirmou a parlamentar.
De acordo com ela, os recursos federais para o Programa de Revitalização da Bacia Hidrográfica do São Francisco caíram 70%. “A revitalização ficou só na promessa”, lamentou a petista. Ela observou que, enquanto os investimentos em preservação encolheram, a verba para transposição do rio cresceu 47%, segundo dados do Tribunal de Contas da União (TCU).
O tribunal, acrescentou ela, constatou que os investimentos da União em revitalização encolheram 68% nos últimos anos. “O estado de degradação em que o rio se encontra é um retrato de como o país vem administrando seus recursos naturais”.
Também preocupado com o destino do Velho Chico, o deputado Luciano Simões Filho alertou para o continuado processo de desmatamento das suas margens, assim como das margens de seus afluentes. “Isso resultou numa diminuição expressiva do volume de água, ocasionando, por outro lado, um processo de assoreamento que desfigurou muitos dos trechos do rio”, afirmou o parlamentar, na moção de congratulações apresentada na Assembleia.
Ele se mostrou preocupado também com o nível da água da Barragem de Sobradinho que, hoje, está em apenas em 18% da capacidade total do reservatório e é abastecido pelo São Francisco. “Em vista disso, e acaso não ocorram chuvas até o mês de setembro, é possível que os operadores daquele equipamento, pela primeira vez na história, passem a utilizar o chamado volume morto.
“É indispensável o desenvolvimento de programas destinados à revitalização do São Francisco. Acaso não sejam tomadas as urgentes providências que a situação requer, por certo daqui a alguns anos, assistiremos à extinção do Velho Chico”, alertou o deputado peemedebista.
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