A Assembleia Legislativa recebeu, em audiência pública realizada na manhã dessa segunda-feira, petroleiros da Bahia. A audiência pública, promovida pela Bancada do PT na AL com o tema “O futuro da exploração e produção de petróleo na Bahia”, teve como objetivo mobilizar parlamentares e sociedade civil para exigir mais investimentos da estatal para o estado e estimular a defesa pela manutenção da empresa na Bahia, a continuidade da exploração dos campos maduros, assim como pesquisas para novas descobertas e prospecções em terra e mar para o desenvolvimento da empresa e do Estado.
Além de petroleiros, participaram do debate os deputados petistas Joseildo Ramos, Bira Corôa, Fátima Nunes, Neusa Cadore, Maria del Carmen e a deputada Fabíola Mansur (PSB). O deputado federal Davidson Magalhães (PC do B), da Frente Parlamentar em Defesa da Petrobras do Congresso Nacional; Rafael Valverde, superintendente da Secretaria de Desenvolvimento Econômico; representantes de associações de petroleiros, como a Federação Única dos Petroleiros, o Sindipetro Bahia; Humberto Rangel, da Fieb; Cedro Silva, presidente da CUT Bahia; e prefeitos e vereadores de municípios baianos.
O deputado Rosemberg Pinto, líder da Bancada do PT, destacou que a fase mais crítica da Petrobras já passou. Para ele, a presidenta Dilma Rousseff demorou para tomar uma atitude em relação a estatal, mas que é visível uma manobra da oposição de desgastar a empresa para entregar a sua produção para multinacionais.
Rosemberg, que comandou os trabalhos da audiência, ressaltou que a Petrobras é uma empresa que o orgulha e tem um quadro técnico qualificado. E fez um apelo para a Bahia. “Sentimos falta da Petrobras fazendo a prospecção do petróleo nos mares baianos. É necessário que a empresa priorize o estado”, disparou o deputado. “Precisamos de mais investimentos”, disse.
O parlamentar não poupou críticas à direção da estatal, pela qual ele lamenta “a descortesia da empresa que não enviou nenhum representante para o evento”. Dilma Rousseff também foi criticada pelo petista que a igualou ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso por ter contratado três bancos para analisar o ativo da companhia, com a finalidade de se desfazer de alguns deles. “Se isso acontecer eu vou pra rua protestar em defesa da empresa”, declarou.
O governo do Estado também não foi poupado pelos participantes. Davidson Magalhães declarou a necessidade do governo se posicionar para a Bahia entrar no Plano de Negócios da Petrobras. O parlamentar destacou que a empresa é fundamental para o desenvolvimento do país “apesar de todos os ataques recentes, como ineficiente economicamente, a capacidade de produção não foi afetada pela Lava Jato”. Já para o geólogo Antonio Rivas, o futuro da exploração na Bahia não depende só da Petrobras, depende de uma política de governo.
HISTÓRICO
A Bahia é o berço nacional da extração de petróleo, onde o primeiro poço a ser descoberto foi no bairro do Lobato, hoje Marco Zero do Petróleo no Brasil. Há mais de 70 anos, o Estado produz petróleo e já chegou a ser o maior produtor do Brasil, atingindo a média diária de 150 mil barris. O Recôncavo Baiano, ao longo desses anos, já produziu mais de 2,5 bilhões de barris de petróleo, sendo superado, somente, pela produção da Bacia de Campos no Rio de Janeiro.
Rafael Valverde enfatizou que 1/3 de arrecadação de ICMS do Estado da Bahia vem da produção de petróleo. “A Bahia jamais irá negar essa história. E o nosso posicionamento é de continuar conduzindo os investimentos da Petrobras”, disse o superintendente, chamando os deputados para juntos fazerem o esforço e cobrar a Agência Nacional de Petróleo (ANP).
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