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Assembleia realiza sessão para celebrar o Dia da África

Publicado em: 29/05/2015 00:00
Editoria: Diário Oficial

Proponente do evento, Bira Corôa destacou as contribuições africanas para os brasileiros
Foto: Carlos Amilton/Agência-Alba
O Dia da África foi comemorado ontem na Assembleia Legislativa com a realização de uma sessão especial proposta pelo deputado Bira Corôa (PT). O tema do evento este ano foi “O Legado dos Povos Jêjes no Processo Civilizatório Baiano”. O parlamentar disse que a marca dos jêjes está “nos candomblés de Salvador e Recôncavo Baiano, na musicalidade, na culinária, na língua portuguesa, na política e em diversas áreas do conhecimento”.

Durante o pronunciamento, Bira lembrou que os povos jêjes compõem uma série de etnias que foram sequestradas de uma região da África onde hoje estão o Benin, o Togo e a Nigéria. Nações como as dos fantis, axantis, fons, ewes e mahins foram traficadas ao Brasil e aqui exerceram “inegável influência e importância na formação identitária e na cultura dos baianos”.

Muito embora vários pronunciamentos tenham se focado na cultura jêje, a exemplo da participação do Doté Amilton de Sôbô, representante do Terreiro Keue Vodun Zó, muitas foram as referências aos quase 400 anos de escravidão e seus efeitos, que persistem até hoje. “Nós nos sentimos escravizados até hoje”, afirmou Bira ao refletir sobre a evidência das desigualdades. “As comemorações anuais do Dia da África são oportunidades para refletirmos sobre as perspectivas do continente africano e a situação difícil em que vivem seus povos, além de ser um momento para refletirmos sobre a diáspora, local onde nos encontramos”, definiu.

Amilton de Sôbô falou logo após a ekedi Iray Galrão, da Casa do Benin. Ele explicitou que não se define como jêje, porque a palavra significa estrangeiro ou forasteiro em yorubá. Marcelino Gomes, da Casa do Adorno de Cachoeira, ocupou a tribuna para dar uma verdadeira aula antropológica da inserção dos chamados povos jêjes no estado. Falaram ainda Guaiacu de Besen Norma Sueli Simas, do Terreiro Rampami Kareleui Keue; Buda de Bobosa, do Terreiro do Ventura Cachoeira; Mavô Adelson, do terreiro Keue Vodun Zó, Lucimar Oliveira, da Fundação Pedro Calmom, Eva dos Santos, defensora Pública; a professora Yeda Castro; e o assessor especial da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, Ailton Ferreira; e o promotor de Justiça, Clodoaldo Anunciação. Durante o evento, representantes dos terreiros Rampami Kareleui Keue, Kuê Vodun Zó, Ventura Cachoeira e Zoogodo Bogun Male Rundô, receberam placas honoríficas.

O Dia da África foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1972, em reconhecimento à importância da Organização da Unidade Africana (OUA). O organismo africano havia sido criado cinco anos antes, em 25 de Maio, quando 32 chefes de Estado africanos se reuniram em Adis Abeba, capital da Etiópia, com o objetivo de promover a solidariedade e a unidades entre aqueles países, defender a soberania e erradicar todas as formas de colonialismo naquele continente. Na Bahia, a data se tornou oficial em 2007, por força de projeto de lei do deputado Bira Corôa. Desde 2008, a Assembleia promove anualmente sessão especial sobre o tema por iniciativa do deputado petista.

















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