A Bahia deve liderar a formação de uma frente parlamentar do Nordeste em defesa da retomada dos investimentos federais na região, em especial no Estado. A proposta, lançada ontem pelo deputado Bobô (PC do B) durante reunião da Comissão de Infraestrutura, Desenvolvimento Econômico e Turismo foi aprovada por unanimidade, motivada pela informação do colega Rosemberg Pinto, do PT, de que a Petrobras vai investir zero por cento na Bahia no próximo ano. A notícia deixou os parlamentares perplexos e provocou desabafo do deputado Pedro Tavares, do PMDB. “Chegou a hora de o governador levantar a voz em defesa da Bahia, que tanto apoio deu à presidente Dilma nas últimas eleições. O governador tem que arregaçar as mangas, ir à Brasília e lutar pela Bahia”, apelou.
Para tentar entender o que, de fato, está acontecendo e minimizar os danos causados pelo retrocesso econômico no Estado, a Comissão de Infraestrutura, Desenvolvimento Econômico e Turismo aprovou ontem a realização de uma audiência pública para tratar dos investimentos da Petrobras na Bahia, com ênfase especial sobre o Estaleiro do Paraguaçu. O Consórcio Estaleiro Paraguaçu (CEP) encerrou as atividades em Maragogipe após reconhecer "o período de dificuldade enfrentado pela indústria naval brasileira" e informar que as obras encontram-se com 82% executados, mas que somente após a "crise" poderá retomar os 18% restantes do projeto. A audiência pública foi aprovada após o presidente do colegiado, Hildécio Meireles (PMDB), provocar o debate em torno da situação do Estaleiro.
FANTASMAS
Para o petista Rosemberg Pinto este é um reflexo da campanha de descrédito vivido pela Petrobras e consequente “desinvestimento” da estatal, especialmente na Bahia. “Todas as três empresas proprietárias do Estaleiro o Paraguaçu estão envolvidas na Lava Jato”, disse Pinto, adiantando que não há mesmo como se investir mais nesta obra. O raciocínio do deputado é simples e direto: “Se a Petrobras não vai consumir, não terá estaleiro”, disse. Segundo o deputado Pedro Tavares os comerciantes que investiram no sucesso da obra “sofrem” e locais como São Roque do Paraguaçu, por exemplo, estão se transformando “em cidades fantasmas”.
O engessamento da economia na Bahia e o consequente estrangulamento das oportunidades de emprego são assuntos que despertam a atenção dos deputados, como Luciano Ribeiro (DEM), que analisa a demissão de sete mil empregados do Estaleiro e mais três mil no setor turístico como dados preocupantes e “que devem vir à debate na Casa”. “Crise se enfrenta com trabalho”, declara o deputado Robinho, do PP, preocupado com o alto índice de desemprego registrado na Bahia.
Para Rosemberg Pinto as notícias são preocupantes, inclusive a de que a Petrobras vai vender parte do pré-sal e metade das ações da Distribuidora. Isto quer dizer, explica o parlamentar, que ela deixará de ser uma empresa de investimentos para se transformar em uma empresa de negócios. E o pior: “os investimentos serão todos carreados para o Sul. Temos que envolver o governador neste debate”, ponderou o petista.
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