O Banco do Nordeste vai investir este ano na Bahia R$ 2,9 bilhões. São recursos destinados a financiamentos, em especial para os mini e pequenos produtores rurais e pequenos e médios clientes que, juntos, terão disponíveis R$ 1,52 bilhão. O anúncio foi feito ontem na Assembleia Legislativa pelo superintendente da instituição, Jorge Bagdêve, aos integrantes da Comissão Especial de Desenvolvimento Regional. Do total de recursos destinados à Bahia, R$ 800 milhões serão investidos no semiárido, ficando as demais regiões do Estado com R$ 2,1 bilhões.
Somente no primeiro quadrimestre deste ano já foram contratados R$ 604 milhões em operações de crédito,cabendo à agricultura a maior parte (R$ 220 milhões), seguida da pecuária (R$ 170 milhões). O setor de comércio e serviços aparece em terceiro lugar, com liberação de recursos da ordem de R$ 120 milhões. O dinheiro disponibilizado pelo Banco do Nordeste vem do FNE – Fundo Constitucional de Desenvolvimento do Nordeste, linha de financiamento de crédito subsidiado.
Segundo o gerente de negócios com o governo da agência do Comércio do banco, Ednaldo Araújo, os grandes diferenciais deste programa são os prazos e as taxas de juros aplicados. Atualmente os clientes do Banco do Nordeste pagam juros de 8,5% ao ano e têm prazo de financiamento que chega a 12 anos, sendo, entretanto, prazo médio de oito anos mais dois de carência. O setor agrícola é o mais beneficiado. Os financiamentos de projetos voltados à agricultura familiar têm taxa de juros aplicada de apenas 1% ao ano.
CRESCIMENTO
Segundo o presidente da Comissão Especial de Desenvolvimento Regional, deputado Alex da Piatã (PMDB), o convite ao superintendente do Banco do Nordeste para a realização da audiência pública de ontem foi justamente para permitir ao Legislativo se inteirar dos planos da instituição para a Bahia e como são distribuídos os recursos. A preocupação, adiantou o parlamentar, é quanto a um maior equilíbrio dos investimentos, de forma a diminuir as diferenças entre as regiões do Estado. Os deputados ficaram impressionados com dados divulgados pelo vice-governador, João Leão, também em reunião do colegiado, segundo os quais a Região Metropolitana de Salvador e o Recôncavo produzem 76% de todo o ICMS do Estado.
Para o deputado, este número demonstra que há concentração de investimentos, sendo preciso projetos que levem o desenvolvimento também a outras regiões da Bahia. Uma das suas expectativas era a de que o superintendente informasse, por exemplo, qual o percentual de investimentos na Bahia em comparação com os outros estados atendidos pelo banco.
Mas, segundo Jorge Bagdêve, o Banco do Nordeste aplica seus recursos de forma equilibrada, com igual percentual destinados a cada estado. Conforme os dados apresentados, 41% dos recursos financiados pelo banco foram para a área rural, numa clara tentativa de manter o homem no campo. Ainda de acordo com Bagdêve, se depender do volume de projetos apresentados, a Bahia ultrapassa o limite de investimento permitido pelo FNE, hoje fixado em 30% do total de recursos do Fundo. Este é o percentual destinado a cada estado da Região, mais Minas Gerais e Espírito Santo, incluídos na área de abrangência do Bando do Nordeste.
A instituição vem investindo e crescendo na Bahia, garantiu o superintendente, informando que houve um crescimento de 55% no número de agências, mas ainda assim elas representam apenas 5,4% do total de 1.119 agências bancárias em funcionamento na Bahia. Mesmo assim, o Banco do Nordeste é responsável por 41% do total de crédito rural. Embora com pequeno número de agências, o Banco do Nordeste cobre todos os 417 municípios baianos, informou seu superintendente. Hoje o banco tem sete mil funcionários (vai contratar mais 1,5 mil até o final do ano) e uma carteira de 3,8 milhões de clientes no país.
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