Visto atualmente como um dos mais graves problemas de saúde pública no Brasil, as feridas crônicas ou complexas afetam a rotina de vida de cerca de 5 milhões de brasileiros. Segundo números do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), a doença é a 14ª maior causa de afastamento do trabalho no país, são mais de 200 mil trabalhadores em idade produtiva afastados de maneira temporária ou indeterminadamente. Na Bahia cerca de 350 mil pessoas vivem com a enfermidade e suas sequelas.
Sempre vigilante às principais demandas de saúde do estado, o deputado José de Arimateia (PRB), vice-presidente da Comissão de Saúde e Saneamento da Casa Legislativa, promoveu audiência pública com o objetivo de discutir sobre o tema e suas complexidades, bem como a construção de políticas públicas voltadas à atenção aos portadores de feridas crônicas.
Na audiência proposta pelo deputado, estiveram presentes a enfermeira Mara Blanck, especialista em dermatologia e feridas; o cirurgião plástico Walber Menezes professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e presidente da Comissão de Feridas do Hospital Universitário Professor Edgard Santos (Hupes); o cirurgião Ortopedista, Gildásio Daltro; a enfermeira Marinês Marques, especialista em feridos e mestre em Gestão de Saúde Pública, além de entidades representativas dos portadores de feridas crônicas.
Inúmeros podem ser os motivos que transformam uma pequena lesão em uma ferida crônica. A especialista em dermatologia e feridas, Mara Blanck aponta que de 70% a 80% das lesões de pequeno porte podem passar a ser uma ferida crônica caso o paciente não tenha o acompanhamento adequado dos profissionais de saúde e o pós-internamento não seja condizente aos cuidados requeridos pelo problema.
Mara coloca que o portador dessa enfermidade precisa de cuidados expressivos para que não ocorra uma amputação e por isso são necessárias políticas de atenção a esses portadores. “O Sistema único de Saúde (SUS) deve prover ações que garantam aos pacientes a assistência devida à condição do mesmo, com ampliação dos recursos para implantação de linhas de financiamento especializado, bem como melhorias dos programas de atendimento domiciliar por conta dos cuidados pós-internamento”, conta Mara Blanck.
Reforçando as colocações de Mara, o cirurgião Gildásio Daltro, salienta a necessidade dos cuidados com pacientes com lesões crônicas e principalmente com os que possuem pequenos ferimentos, que podem evoluir para uma ferida complexa. “A prevenção ainda é o método mais eficaz para se evitar o agravamento das enfermidades, pois isso, um paciente que tenha sofrido algum tipo de trauma deve ser muito bem orientado para impedir que o macucado se transforme em algo mais grave”, conclui Daltro.
A enfermeira e mestre em gestão de saúde pública, Marinês Marques, acrescenta que frente ao cenário atual sobre a temática, e diante da necessidade de uma acompanhamento especializado à pessoa com ferida crônica, percebe-se a importância da participação incisiva do poder público nessa questão, principaidas crônicas que vêm passando por inúmeras dificuldades para ter acesso ao um tratamento de qualidade elmente no que se refere a políticas públicas que beneficiem essas pessoas. Ela sugere a implementação de uma rede de atendimento transdisciplinar – que comporta profissionais de diversas áreas como: médicos, cirurgiões, enfermeiros, psicólogos dentre outros –, sugere também, a inclusão de uma linha de promoção de ações educativas para reduzir os índices, além da instituição de uma equipe regional de referência para o tratamento.
Para o deputado, essa audiência foi pensada com o intuito de atender os anseios das pessoas com fer até mesmo para ter maiores informações sobre a doença, que tem afastado trabalhadores de suas atividades. Ele também afirma que os trabalhos em prol da realização das propostas apresentadas pelos especialistas serão encaminhados aos órgão de saúde competentes. “As atividades desta comissão chegarão aos poderes municipais e estaduais, para que juntos passamos garantir recursos e proporcionar mais dignidade aos pacientes”, reafirma José de Arimateia.
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