O meio século de existência do Hospital Martagão Gesteira foi comemorado ontem na Assembleia Legislativa com sessão especial proposta pelo deputado Rosemberg Pinto (PT). No discurso de abertura o parlamentar lembrou que o Hospital é referência e presta atendimento gratuito de excelência às crianças carentes da Bahia. Entidade filantrópica que sobrevive exclusivamente de recursos do SUS e de doações, o Martagão Gesteira enfrenta dificuldades financeiras e opera no vermelho. Somente de juros de empréstimos bancários o hospital paga R$ 1,8 milhão a cada ano. Segundo o diretor executivo da Liga Álvaro Bahia, Durval Olivieri, sozinho o governo não consegue manter a unidade. “A sociedade precisa assumir a propriedade do Martagão Gesteira”.
Hospital que oferece mais de 30 especialidades pediátricas e tem cerca de 700 funcionários, o Martagão Gesteira já inicia processo de capacitação em áreas inexistentes na Bahia, como as de transplantes de médula e de fígado e tem sido responsável por procedimentos pioneiros no país, como por exemplo a técnica que beneficiou crianças com deficiência respiratória internados em UTI (o PAVD) e que hoje já estão em casa. Este é um dos destaques citados por Carlos Emanoel, subsecretário de Saúde do Estado e representante do governo na sessão especial de ontem.
EXCELÊNCIA
Segundo ele, o hospital também também possui um centro único na Bahia para tratamento de crianças autistas e entre 2012 e 2014 realizou 550 cirurgias cardíacas pediátricas. Estes são procedimentos que justificam, explica Carlos Emanoel, a espécie de convênio que o Estado mantém com o Martagão, que resulta em repasse entre R$1,3 e R$ 2 milhões/mês. O hospital funciona como uma unidade suplementar na rede de saúde do Estado, que a ele recorre quando na sua rede própria não é possível a realização de atendimento. O Governo paga de acordo com a demanda.
Contrato fixo mesmo o Martagão Gesteira tem com o município, gestor ordinário, e que, segundo Durval Olivieri, melhorou o tempo de pagamento, mas ainda assim leva cerca de 30 dias para efetuar o repasse dos recursos. Precisando colocar a máquina em operação todos os dias, o Martagão Gesteira é obrigado a recorrer a empréstimos bancários que consomem, em juros, R$ 150.000,00 mensais, “o custo de um leito de UTI por 30 dias”.
Hoje o hospital oferece 170 leitos (dez em UTI), atende 6 mil crianças e realiza 500 cirurgias todo mês. Hospital referência nas áreas de cardiologia, quimioterapia e neurologia infantis, o Martagão atende “mais de 90%” dos municípios baianos, informa o superintendente administrativo Antônio Novaes. Além do tratamento médico, oferece uma série de serviços aos acompanhantes e pacientes. “Lá temos escola, briquedoteca e alimentação”, diz Silene Santos Oliveira, mãe de uma criança portadora de leucemia linfonoide aguda que há oito anos recebe tratamento no Hospital.
“Se não fosse o Martagão, o que seria de nós”, diz Silene, que prestou um depoimento emocionado ontem na sessão especial, onde fez um apelo para que a sociedade se sensibilize e participe das campanhas de doações ao Martagão Gesteira. “Lá é minha segunda casa e lá eu passo 12 horas por dia”, testemunha ela que agora espera ansiosa por um doador de medula que seja compatível com o filho. “Em setembro de 2014 ele recidivou” e a única salvação é o transplante. Ela espera que um dia este tipo de procedimento seja feito em Salvador, aliviando o sofrimento adicional das famílias que, além da doença, tem “que abandonar a casa, a família para viajar com o doente. A gente vai e não sabe quando volta”, diz Silene, que se prepara para ir a São Paulo transplantar o filho.
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