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Relação entre mídia e violência é debatida em audiência pública

Publicado em: 06/05/2015 00:00
Editoria: Diário Oficial

O concorrido evento foi idealizado pelos petistas Marcelino Galo e Bira Corôa
Foto: Arquivo/Agência-Alba
Com o objetivo de debater a relação entre mídia e violência foi realizada ontem uma audiência pública conjunta entre as comissões de Direitos Humanos e Segurança Pública e a de Promoção da Igualdade. O encontro foi conduzido pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos, Marcelino Galo (PT), e contou com a presença de representantes da Universidade Federal da Bahia, Defensoria Pública, OAB e outras entidades de classe.

Marcelino Galo disse que a proposta da comissão é debater a questão dos diretos humanos de forma integral, lembrando que já ocorreram audiências públicas com temas como violência policial e situação do sistema prisional. “O modo como a mídia trata a violência, de forma “espetacularizada”, muitas vezes expondo cidadãos que ainda não foram a julgamento, é um tema fundamental que não poderia deixar de ser tratado pelo colegiado”, afirmou.

Segundo o presidente da Comissão de Igualdade, Bira Corôa, o objetivo do encontro foi debater o papel da mídia no contexto informativo e educativo da sociedade. “A mídia hoje é um grande instrumento fomentador de violência. Quando um jovem suspeito de ter cometido um crime é entrevistado por um repórter ele é sentenciado pela mídia antes de ser julgado”, reiterou o deputado petista.

Bira Corôa afirmou que o controle das concessões tem que ser mais rigoroso, ressaltando que a informação veiculada é tendenciosa, direcionando a opinião pública e violentando principalmente as minorias. “As novelas distorcem, a Globo tem tentado representar a comunidade LGBT e as situações ficam caricaturais, fora de contexto”, afirmou.

MULHER

Já a professora do departamento de Ciências Políticas da Ufba, Maíra Kubik, afirmou que as mulheres são excluídas ou ocultadas pelos meios de comunicação. “Quando são fontes para alguma notícia as mulheres aparecem em um papel estereotipado de esposa ou mãe e falando sobre problemas cotidianos, como o aumento do pãozinho”, afirmou a professora, salientando que a violência contra a mulher não é mostrada como um problema endêmico da sociedade brasileira.

A defensora pública Walmary Pimentel explicou que a permissão para entrevista só poder ser concedida pela própria pessoa, que tem o direito constitucional de permanecer em silêncio. “Quando uma pessoa se nega a responder uma pergunta e o repórter insiste, muitas vezes encorajado pelo policial que está fazendo a guarda do suspeito, o que está acontecendo é uma coação, uma violação extrema da dignidade humana. As famílias dessas pessoas que se sentirem atingidas podem procurar a defensoria para tomarmos as medidas legais”, afirmou a defensora.

O deputado estadual Herzem Gusmão fez um contraponto as ideias apresentadas na maioria das falas afirmando que vê com muita preocupação a criação de um Conselho de Democratização dos Meios de Comunicação ou instância similar. “Fico preocupado quando ouço falar de controle da mídia. A liberdade de expressão deve ser sagrada, não cabe ao estado nenhuma censura à palavra. Se o preso é obrigado a se expor em uma entrevista a culpa é do Estado e não da mídia”, afirmou o deputado.






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