Comunista justifica o movimento grevista, mostrando os números dos lucros dos bancos
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A greve dos bancários na Bahia, que durou seis dias, recebeu a solidariedade do deputado Álvaro Gomes (PCdoB), autor de moção de aplauso protocolada na Assembléia Legislativa. "O movimento dos trabalhadores é justo e visa combater os abusos do poder econômico, principalmente dos bancos", defendeu, explicando que "as chances de uma campanha salarial vitoriosa crescem à medida que se prolifera o apoio de entidades das mais variadas instâncias da sociedade".
Álvaro, ex-dirigente do Sindicato dos Bancários, elogia a categoria por considerá-la "uma das mais combativas e mobilizadas do país, com marcante história de luta e atuação nos momentos políticos mais importantes do Brasil". Ele lembra que a primeira greve nacional da categoria foi realizada em julho de 1934, há mais de 71 anos. "Ao longo desse período, os trabalhadores, estimulados pela ganância dos patrões, deflagraram outras dezenas de paralisações, sempre buscando melhores condições de trabalho, salários justos e responsabilidade social", disse.
Os bancários cruzaram os braços este ano após rejeitarem em Assembléia Geral a proposta da Fenaban (Federação Nacional dos Bancos), que previa reajuste salarial de 4%, abono de R$1 mil e PLR nos mesmos moldes do ano passado. "A categoria considerou a proposta rebaixada, incapaz até de cobrir a inflação acumulada no período (setembro de 2004 a agosto de 2005), de 5,69%, medida pelo ICV Dieese", e bem distante dos 11,77% reivindicados na minuta mínima unificada, explicou.
O parlamentar considera que os bancos "representam o setor que mais lucra no Brasil e não podem tratar os trabalhadores com tanto descaso e insensibilidade. Não é justo com os bancários, não é justo com o país," protestou. O parlamentar comunista ressalta que a cada semestre a lucratividade dos bancos aumenta, chegando, em alguns casos, a dobrar de valor. "Os números provam que os ganhos registrados são incompatíveis com os reajustes concedidos. No Banco do Brasil, de 1994 a 2004, o lucro líquido cresceu 2.667,7%, enquanto o reajuste acumulado concedido aos funcionários aumentou apenas 89,1%", exemplifica, dizendo ainda que a desproporção entre os bancos privados é grande também, tendo havido ganhos de 800,7% no período para as empresas, enquanto os salários só receberam 176,9% de reajuste.
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