A Assembleia Legislativa concedeu ontem à tarde o título de cidadão baiano ao presidente da Financiadora de Estudos e Pesquisas (Finep), Luís Fernandes. A homenagem foi proposta pelo deputado Fabrício Falcão (PC do B) e reuniu os próceres do partido, a exemplo do presidente da legenda, o deputado federal Daniel Almeida; a deputada federal Alice Portugal, os secretários estaduais Álvaro Gomes e Olívia Santana, a vereadora de Salvador Aladilce, o ex-deputado Javier Alfaya e o secretário municipal de Ações Estratégicas de Lauro de Freitas, Ney Campelo.
Português de nascimento e carioca desde que se naturalizou no país, Fernandes disse ontem que a cidadania baiana completa a “síntese do que é ser brasileiro”. Homem de múltiplas atividades, desde a produção acadêmica até a atuação executiva, se notabilizou por conciliar a rigidez de princípios com uma grande capacidade de negociar, segundo os pronunciamentos da tarde de ontem.
Proponente da sessão e responsável pelo discurso de saudação, Fabrício ressaltou o papel desempenhado por Fernandes na organização da Copa do Mundo de 2014: secretário executivo do Ministério dos Esportes desde a posse de Aldo Rebelo, o homenageado foi destacado pelo governo para integrar o Comitê Organizador Local (COL), após reclamações da Fifa ante os seguidos atrasos no cronograma.
Militante e dirigente do PC do B, Fernandes foi nomeado secretário Executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia em 2004, assumindo a presidência da Finep três anos depois. Em 2011 foi para o Ministério dos Esportes. Nesse meio tempo, conciliou atividades como dirigente do Vasco da Gama e comentarista da Globonews, além de ensinar na UFRJ e na PUC-RJ. A sua atuação em prol da universidade foi prestigiada com as presenças dos vice-reitores da Ufba, Paulo Cesar Miguez, e da Uneb, Fábio Felix.
Bastante emocionado, Luís Fernandes apontou vários amigos que via em plenário, incluindo “os amigos que exageraram nos discursos que me antecederam”. Ele afirmou que a Bahia representa uma parte muito importante da sua vida. “Aqui constituí família”, lembrou, definindo que “estou cercado de amigos, citando familiares e amigos presentes. “A Bahia foi muito importante na minha formação política”, garantiu, lembrando do congresso da UNE, durante a ditadura militar. Ele falou sobre o trabalho e as dificuldades enfrentadas na elaboração da Copa do Mundo e disse que o sucesso do evento se deveu muito ao sucesso da sede baiana. Ele só reclamou dos baianos por não terem feito um despacho na concentração da Alemanha para amarrar a seleção campeã. Na única citação de seu discurso, lembrou o filósofo Nenem Prancha, que entre suas máximas, dizia que, se macumba garantisse resultado, o clássico BaVi só terminaria empatado.
A placa honorífica foi entregue pelo presidente Marcelo Nilo (PDT), sendo convidados a senadora Lídice da Mata, a esposa de Fernandes, Clara Araújo, Daniel Almeida e Alice Portugal para juntos transmitirem o título. O presidente protagonizou ainda uma quebra de protocolo ao abrir a palavra aos dois deputados federais, ressaltando a saudade pessoal e da Casa dos mandatos estaduais de Alice.
Ao ocupar a tribuna, Alice fez elogios ao “político, intelectual e humanista Luís Fernandes e aproveitou a ocasião para pedir mais recursos para pesquisa na Bahia e no Nordeste. Lembrando que foi ele quem, no início do governo Lula, fez um plano de desenvolvimento de pesquisa que envolvesse todas as regiões, ela disse “nós baianos temos um clamor por uma atitude mais igualitária, para uma busca de compensação regional”. Enfatizando os novos ares que a expansão universitária trouxe ao estado, Alice pediu “mais recursos, mais atenção, mais chance para o pesquisador do Nordeste, do Norte e Centro-Oeste, para romper a primazia e concentração no eixo desenvolvimentista”.
Daniel ressaltou que Fernandes personifica o exemplo de que não há contradição entre o perfil acadêmico e o de capacidade de gestão competente e eficiente, sem perder a capacidade de ser político. “Essas qualidades juntas, se articuladas, produzem resultados e são necessárias”. Marcelo Nilo e Fabrício fizeram questão de lembrar que a proposta de concessão do título foi aprovada por unanimidade. “A nossa cidadania é decidida por duas pessoas, o pai e a mãe, que decidem onde vamos nascer, mas este título é decidido por 15 milhões de pessoas, que são representadas pelos deputados que tem assento nesta casa”, comparou.
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