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Dia Internacional da Dança é celebrado no Poder Legislativo

Publicado em: 17/04/2015 00:00
Editoria: Diário Oficial

Na sessão especial, ícones da dança foram homenageados com a Comenda 2 de Julho
Foto: Carlos Amilton Novaes/Agência-Alba
Incentivo para a dança foi o tom da sessão especial de ontem em comemoração do Dia Internacional da Dança que homenageou os “quatro baluartes” desta linguagem artística na Bahia: Lia Robatto, Dulce Aquino, Mestre King e Carlos Moraes. Todos têm a mesma reivindicação, endossada pelo deputado Marcelino Galo (do PT), autor da homenagem, para quem é preciso no mínimo dobrar-se a verba destinada ao segmento na Bahia, hoje em 0,7% do orçamento do Estado. 

Para Dulce Aquino, diretora da Escola de Dança da Universidade Federal, há “boas perspectivas” com a nomeação de Juca Ferreira para a pasta da Cultura e Renato Janine para a Educação. Com eles, vislumbra-se “ avanço razoável” na gestão pública, mas é preciso mais. É necessário apoio no Legislativo e a constituição de “uma frente parlamentar que defenda os interesses da categoria”, disse.

Na Bahia, analisa Aquino, em que pese o parco orçamento, a categoria está unida e mobilizada e há “uma efervescência” na dança, que, segundo ela, se prolifera sobretudo nos bairros. Com visão otimista sobre o cenário atual, Aquino entretanto sinaliza que é necessário uma política real e não apenas “de edital”; e critica fortemente as leis de incentivo, em especial a Lei Rouanet, que qualifica “como uma das mais perversas para a cultura brasileira”. Fazendo eco às declarações do ministro Juca Ferreira, a dançarina as repete e aponta que “80% das verbas destinadas pela Rouanet vão para a Avenida Paulista e Rio de Janeiro, submetidos que estão ao marketing das grandes empresas”. É preciso rever a legislação, sugere Aquino. 

PRÁTICA

Lia Robatto, que assim como os outros três homenageados receberam ontem a Comenda 2 de Julho, considera que a categoria conquistou avanços significativos, como a “lei orgânica para a dança, que determina princípios para as políticas públicas na área”. Ela elogia o ex-secretário estadual da Cultura, Albino Rubim, pela elaboração de um plano para a área “que contempla várias das reivindicações da categoria”, e aponta que cabe agora ao secretário Jorge Portugal e ao governador Rui Costa implementá-lo, transformando-o em uma “política de estado e não de governo”.

“Temos a base, não nos faltam cabeças que pensem sobre as políticas estratégicas para a área. Nos falta a prática”, diz Robatto, lembrando que “ as artes no mundo inteiro, são deficitárias” quanto se trata de orçamentos, ressalvando-se “as comerciais de entretenimento que o mercado mantém”. Já para Mestre King, o cenário na Bahia “já foi melhor”. “Falta incentivo”, compartilha, lembrando que houve um tempo em que grupos e academias se proliferavam”. King tem uma reivindicação: a criação de um balé que represente a Bahia. Isso porque, diz, “o Balé Teatro Castro Alves não se renova e o Balé Folclórico é particular. E assim a Bahia não tem uma companhia de dança que o represente e precisa ter”, avaliou.

Tido como um dos expoentes desta arte, Mestre King mostra-se agradecido com a homenagem recebida ontem, “um reconhecimento aos baluartes da dança na Bahia”, mas adianta que “precisamos mesmo é de dinheiro. O que mais ouvimos é 'não', enquanto rios de dinheiro são desviados por debaixo do pano”. Os bailarinos mostraram-se agradecidos com a sessão especial, que “joga luz” sobre a arte, e elogiaram a sensibilidade do deputado Marcelino Galo em ser um apoio no Legislativo. 

CELEBRAÇÃO

Para o deputado, a sessão de ontem, na sua terceira edição consecutiva, “já é uma tradição” e uma forma de “mostrar esta linguagem, celebrar o Dia Internacional da Dança e trazer o assunto à Assembleia Legislativa formando público” para a dança. “É uma manifestação da arte, mas também da política”, disse Galo, lembrando que ontem foram homenageados “expoentes pioneiros da dança na Bahia, que possibilitaram o crescimento desta arte” no Estado. “Sem eles a dança não teria a expressividade que tem”. 

O professor e coreógrafo Carlos Moraes, considerado um mestre da dança clássica no Brasil e um dos fundadores do Balé Teatro Castro Alves, também foi homenageado com a Comenda 2 de Julho; para a professora, pró-reitora de extensão e ex-diretora da Escola de Dança da Ufba, Dulce Aquino; para coreógrafa, professora e pesquisadora em dança, Lia Robatto, considerada um fenômeno da dança cênica, entre as décadas de 50 e 60; e para o precursor da dança afro-brasileira, Mestre King, primeiro homem a se graduar em Dança pela Universidade Federal da Bahia.




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