A construção de um novo zoológico para Salvador é uma alternativa que vem sendo avaliada pelo governo baiano, mas até agora esbarra no custo, cerca de R$ 100 milhões, segundo estimativa apresentada pelo secretário estadual do Meio Ambiente, Eugênio Spengler, que esteve ontem na Assembleia Legislativa para expor o plano de trabalho de sua pasta e tirar as dúvidas dos deputados sobre as principais questões ambientais da Bahia. O encontro foi realizado pela Comissão de Meio Ambiente, Seca e Recursos Hídricos, presidida pela deputado Marcell Moares (PV).
Na sessão realizada pela manhã, Spengler admitiu que o bairro de Ondina não é o lugar adequado para sediar o zoológico de Salvador. De acordo com o secretário, o zoo possui hoje cerca de 25 hectares de área (aproximadamente 25 mil quilômetros quadrados). Só que parte dessa área, explicou ele, faz limites com o Palácio de Ondina, a residência oficial do governador; e por questões de segurança, não pode ser utilizada.
Outro problema do zoológico é a acessibilidade, que não é fácil. “O zoológico é cheio de subidas e descidas e a pessoa precisa ter uma boa condição física para percorrer todos os caminhos”, reconheceu Eugênio Spengler, na exposição que fez antes de responder aos questionamentos dos deputados. Ele admitiu também que, na atual localização, o zoológico tem dificuldades para adequar os equipamentos ao que determina as normas internacionais.
TERRENO
Spengler aponta outras dificuldades para a construção de um novo zoo. O primeiro é que o governo do Estado não dispõe de um terreno grande o suficiente para receber o zoológico. Para complicar ainda mais, esse tereno não poderia ficar muito distante, sob pena de levar a população a deixar de frequentá-lo. “Mais de 80% das 180 mil pessoas que visitam o zoológico anualmente vem da periferia e, com certeza, elas se afastariam se ele ficasse mais distante”, argumentou.
Por isso, acrescentou ele, o governo não descarta deixar o zoo onde está e fazer os investimentos necessários para torná-lo mais confortável para os animais e visitantes. Alguns desses investimentos já foram feitos, segundo o titular da pasta de Meio Ambiente. Ele citou obras no aviário, serpentário e área de primatas. E, no caso do governo decidir pela permanência do equipamento, afirmou que novas intervenções seriam necessárias, a exemplo da construção de uma área de quarentena para os animais, a melhora da acessibilidade e sinalização, além da construção de um hospital veterinário, em parceria com a Universidade Federal da Bahia.
Os argumentos do secretário, no entanto, não sensibilizaram parte dos integrantes da Comissão de Meio Ambiente, que este ano já fizeram uma visita ao zoológico para verificar as dificuldades existentes. Para o deputado Adolfo Viana (PSDB), diante de tantos problemas, o melhor seria até mesmo fechar o zoológico. Já o presidente do colegiado, Marcell Moraes, foi mais ameno e sugeriu a interdição provisória do zoológico, até que se garanta uma condição melhor para os animais.
Para Moraes, a qualidade de vida dos animais lá abrigados são as piores possíveis. O deputado citou, entre outros problemas, o risco de morte que correm os animais que vivem sozinhos e lembrou o caso que ficou famoso de uma chimpanzé cuja liberdade foi determinada à época pelo promotor de Meio Ambiente do Ministério Público, Heron Santana. A determinação não foi cumprida e o animal acabou morrendo em pouco tempo.
Spengler defendeu a decisão e afirmou que o animal morreria de qualquer forma se fosse devolvida à natureza. “Antes de vir para cá ela era usada como cobaia por uma empresa de biotecnologia da Suíça e não reunia qualquer condição para ser devolvida ao seu habitat natural”, afirmou o secretário. Ele também assegurou que a interdição do zoológico não é necessária. Mas ressalvou: “Se entendermos que a interdição é necessária para segurança dos animais e dos visitantes, não teremos problema algum em fazer. Mas, no momento, não temos essas avaliação”.
Além do zoológico, o secretário falou no encontro sobre diversas outras questões ambientais, como a fiscalização dos crimes ambientais, a preservação de espécies ameaçadas e as ameaças à Baía de Todos os Santos. Ele contou aos deputados que o governo vem testando um veículo aéreo não tripulado na fiscalização ambiental. Com capacidade de cinco horas de voo, ele fotografa 30 mil hectares com aproximação de dois centímetros se for necessário e será uma das armas utilizadas para reduzir a degradação ambiental no estado.
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