O governo do Estado trabalha para transformar a Baía de Todos os Santos no maior território náutico do país. Para isso vai investir 87,4 milhões de dólares em um plano estratégico que prevê uma série de ações, dentre elas abertura de novos destinos turísticos, construção de nove bases náuticas, instalação de um SAC ( Serviço de Atendimento ao Cidadão) Náutico, revitalização do Museu Wanderley Pinho, e a requalificação de serviços e produtos. As informações foram prestadas ontem pelo secretário de Turismo do Estado, Nelson Pelegrino, em reunião da Comissão de Infraestrutura, Desenvolvimento Econômico e Turismo da Assembleia Legislativa, presidida por Hildécio Meireles (PMDB). Segundo o secretário, este é o carro-chefe da política estratégia para o turismo na Bahia.
Segundo Pelegrino, a Baía de Todos os Santos deve ser aproveitada pelo governo para estimular o segmento do turismo náutico de negócios e eventos. Para isso, faz parte do plano “a sinalização em padrões internacionais” de toda a Baía, que deve ser transformada no portão de entrada do Brasil pelo mar. Atração de regatas internacionais e a desburocratização no serviço de regularização de embarcações estrangeiras que venham à Bahia participar destas competições fazem parte dos planos do secretário. Esta será a função do SAC Náutico, esclareceu Pelegrino, que anunciou também a recuperação da via náutica entre o subúrbio e a Barra.
RECURSOS
Somente na revitalização do Museu Wanderley Pinho, no Recôncavo Baiano, o governo do Estado vai investir R$ 6 milhões, ampliando a gama de oportunidades a ser ofertada pelo espaço, para que inclua também serviços voltados ao turismo. A Setur já trabalha na confecção da roteirização da Baía, bem como estuda os locais que irão abrigar as bases náuticas, equipamentos que contarão com píer de atracação, área de alimentação, bomba de combustível e aluguel de equipamentos.
Ainda no segmento turismo de negócios, o governo vai construir um novo centro de convenções, “em três ou quatro anos”. Ele deverá ser localizado no terminal da França, no Comércio, onde hoje funciona o Hospital Naval. Até lá, adiantou o secretário, o governador Rui Costa autorizou o funcionamento dos 3º e 4º pisos do atual Centro de Convenções, que passará por obras de recuperação.
O turismo baiano, segundo dados fornecidos pelo secretário Nelson Pelegrino, continua uma atividade economicamente rentável. Citando dados no plano estratégico 2007/2016, ele informou que a atividade é responsável por 7,5% do PIB (Produto Interno Bruto) estadual e atraiu, em sete anos (entre 2007 e 2014), R$ 513 milhões em investimentos privados. O plano, disse, será revisto e ampliado para abrigar as ações estratégicas do governo para o setor até 2021.
REDE
Atualmente, a Bahia tem 13 zonas turísticas e 28 produtos. Ano passado o Estado recebeu 11 milhões de turistas, a grande maioria proveniente do turismo interno, que tem nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e na capital Brasília os principais emissores. O fluxo internacional, em menor escala que o nacional, tem na Argentina, Europa e América do Norte os principais emissores de visitantes.
Dentre os destinos, Salvador é ainda o que mais atrai turistas, embora perca para a Costa do Descobrimento em número de leitos. A capital oferece hoje 39 mil leitos “e é a terceira maior rede hoteleira do país”. A Costa do Descobrimento tem oferta atual de 41 mil leitos. A Região Metropolitana de Salvador desponta como a terceira maior concentração de leitos, com oferta atual de 22 mil unidades.
Em termos de destinos, o Estado oferece 28 diferentes opções ao visitante, passando por sol e mar, história, cultura e gastronomia. O turismo religioso é outro nicho que o governo pretende ampliar e para isso uma série de intervenções, em Salvador e no interior do Estado, estão sendo pensadas pela Setur. A Bahia tem o que o turista quer. Segundo pesquisa realizada pela Embratur e citada pelo secretário Pelegrino, a maioria dos visitantes (36% dos entrevistados) procura sol e mar, seguidos das belezas naturais (26%) quando decide por um destino turístico.
AÇÃO
Ainda de acordo com o mesmo levantamento de dados da Embratur, o turista internacional, ao referir-se ao Brasil, cita a Amazônia, o Rio de Janeiro e as Cataratas do Iguaçu como destinos lembrados espontaneamente. A Bahia não se inclui neste rol, mas é intenção do governo “fortalecer a marca Bahia” no exterior. Para isso será desenvolvida uma agressiva “política de comunicação e marketing, sobretudo na área digital” que leve a Bahia a ser mais divulgada no exterior.
Fazem parte das ações estratégicas do governo no incentivo ao turismo, o fortalecimento da atividade e o aprimoramento de serviços, de forma a garantir que o turista “chegue bem” ao seu destino. Melhorias na infraestrutura de estradas, da via náutica e dos aeroportos fazem parte dos planos, assim como a qualificação de produtos e serviços. O Aeroporto Luís Eduardo Magalhães, em Salvador, por exemplo, deverá passar por obras de ampliação e requalificação de forma a aumentar sua capacidade de recepção dos atuais 11 milhões para 40 milhões de passageiros/ano.
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