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Tratamento da tuberculose é debatido em audiência na AL

Publicado em: 01/04/2015 00:00
Editoria: Diário Oficial

Evento foi promovido pela Comissão de Saúde e Saneamento, presidida ontem de forma interina pelo deputado Pastor José de Arimateia
Foto: Neuza Menezes/Agência-Alba
Os cerca de 4.700 casos de tuberculose registrados na Bahia no ano passado, que colocam o estado como o terceiro do país em números absolutos da doença, ligaram o sinal de alerta de profissionais de saúde e autoridades políticas. Para discutir esses números e as estratégias para reduzi-los foi realizada ontem, na Assembleia Legislativa, uma audiência pública promovida pela Comissão de Saúde e Saneamento, presidida ontem de forma interina pelo deputado Pastor José de Arimateia (PRB).

O evento teve a participação dos principais responsáveis pela prevenção e tratamento da tuberculose na Bahia. Entre eles, o subsecretário estadual da Saúde, Roberto Badaró; o secretário de Saúde de Salvador, José Antônio Rodrigues; o diretor-geral do Hospital Octávio Mangabeira, Leandro Lôbo; a diretora do Hospital Couto Maia, Ceuci Xavier Nunes; a coordenadora do programa de Tuberculose Multiresistência, Eliana Matos, além da representante do Ministério da Saúde, Danielle Pelissari, entre outros especialistas e deputados estaduais.

O maior problema  para reduzir o número de casos e mortes causadas pela tuberculose  ainda é o alta taxa de abandono do tratamento. A infectologista Danielle Pelissari, primeira a falar ontem, explicou que o tratamento da doença dura, em média, seis meses e, se o paciente não tiver um vínculo forte com a instituição de saúde, acaba indo embora. E são esses pacientes que correm o maior risco, já que a bactéria pode ficar resistente aos medicamentos utilizados para tratar a doença. “Por volta de 7% dos casos registrados no país estão na Bahia”, informou.

Para o médico e subsecretário estadual de Saúde, Roberto Badaró, garantir uma adesão eficiente do paciente ao tratamento não é uma missão nada simples. De acordo com ele, são necessários três elementos básicos para garantir uma adesão eficiente: informação (10% dos pacientes não sabem nem porque estão fazendo o tratamento); motivação (quando a pessoa tem dificuldades até para comer, tomar o remédio não é um preocupação); e atitude comportamental (os pacientes tomam quatro comprimidos em jejum todos os dias e muitas vezes sofrem com os efeitos colaterais).

Presente ao evento, a deputada Fabíola Mansur (PSB) quis saber de Roberto Badaró quando será reaberta a enfermaria do Hospital Octávio Mangabeira que possui 31 leitos e está fechada há cerca de quatro anos. Badaró disse que o Mangabeira é considerado um hospital estratégico e, por isso, é uma das prioridades dos novos titulares da pasta de Saúde. Mas observou que a hospitalização não é o melhor caminho para tratar os pacientes com tuberculose. Para ele, o tratamento ambulatorial bem realizado pode surtir efeitos mais positivos. E defendeu também a modernização do sistema de notificação da doença.

“Vamos gastar R$ 100 milhões para informatizar toda a rede estadual de saúde”, informou o subsecretário na audiência de ontem. Atualmente, admitiu ele, o Estado não tem capacidade de fazer o acompanhamento do paciente. “Nós levamos muito tempo para descobrir que o paciente abandonou o tratamento”, reconheceu, citando o exemplo dos Estados Unidos onde os pacientes chegam a ser lembrados diariamente, via whatsapp ou outros meios tecnológicos, que precisam tomar a medicação. Além de tornar a bactéria resistente ao doente, os pacientes que abandonam o tratamento transmitem a doença a outras pessoas através do ar.

Já o diretor-geral do Hospital Octávio Mangabeira, Leandro Lôbo, defendeu o diagnóstico precoce, que hoje é feito por um teste chamado genexpert. “Com o diagnóstico rápido poderemos priorizar o tratamento ambulatorial, reservando os leitos dos hospitais para os pacientes multiresistentes. “Pelo menos 20% dos pacientes que chegam aqui com o estágio avançado da doença”. Outro problema levantado por ele é a associação da tuberculose com o vírus do HIV. Segundo Lôbo, também 20% dos pacientes com HIV também tem tuberculose.




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