Edson Pimenta manifesta-se contrário à transposição e defende a revitalização do rio
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Em meio à polêmica sobre a transposição, o deputado Edson Pimenta (PC do B) lembrou na Assembléia Legislativa os 504 anos da descoberta do Rio São Francisco, completados na última terça-feira. Ele apresentou uma moção de congratulações pela data, na qual conta a história da chegada do navegador Américo Vespúcio na foz do rio. "A data era 4 de outubro de 1501, dia de São Francisco, santo em cuja homenagem os navegadores batizaram o rio", relatou Pimenta.
Segundo o deputado, desde então o São Francisco passou a ser visitado regularmente pelas naus européias e, mais tarde, seria o principal pavimento para a colonização dos sertões goianos. No primeiro momento, porém, o terreno desconhecido e a resistência dos índios dificultaram o domínio da região.
No documento, Pimenta se mostrou preocupado com a degradação do rio. "Atualmente", disse ele, "as queimadas, o desmatamento, a erosão das margens, o assoreamento, a redução da qualidade da água, a alteração das áreas de recarga de aqüíferos e o aumento de sedimentos no rio são alguns dos problemas relatados pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco".
De acordo com o autor da moção, um complexo e amplo estudo realizado pelo comitê mostra como o rio foi sendo degradado ao longo dos anos, desde de sua descoberta, com diversas atividades como as minerações e o garimpo de ouro e pedras preciosas. Esta exploração no Alto São Francisco, continuou ele, provocou grande impacto pelo desmatamento e geração de sedimentos, comprometendo os recursos hídricos de forma qualitativa e quantitativa.
REVITALIZAÇÃO
Pimenta também tratou na moção do polêmico projeto do governo federal de transposição das águas do São Francisco. Ele lembrou que o projeto de transpor as águas do rio para áreas do Nordeste brasileiro, onde o grande período de estiagem compromete o abastecimento de água e prejudica a qualidade de vida da população, vem despertando grandes debates. "As entidades de classe, sindicatos, a Igreja Católica, a sociedade civil organizada e nós, políticos da Bahia, defendemos a implantação de políticas públicas para revitalização da bacia e um amplo e exaustivo debate antes de qualquer obra de transposição", garantiu.
Ele lembrou a atitude extremada do bispo de Barra, dom Luiz Flávio Cappio, que iniciou uma greve de fome com o propósito de impedir o começo das obras do projeto. "Nós externamos a nossa posição contrária à transposição do rio, ao tempo em que nos solidarizamos com a atitude do frei Luiz Cappio, aguardando com grande expectativa que o governo federal adote as providências necessárias para a retomada das discussões para a implantação de políticas de revitalização da Bacia do São Francisco, ao invés da continuidade do processo para os serviços propostos", concluiu Edson Pimenta.
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