O anúncio do governo do Estado de lançar, até o final deste ano, licitação para a construção da ponte Salvador/Itaparica movimentou os debates ontem na Comissão de Infraestrutura, Desenvolvimento Econômico e Turismo. O democrata Luciano Ribeiro criticou o que qualificou de “incoerência” do governo e os situacionistas defenderam o Executivo. No início do mês foi aprovado pelo Conselho Gestor do Programa de Parceria Público Privada (PPP) a continuidade do projeto do Sistema Viário Oeste (SVO), sob o regime de PPP, que engloba a construção da ponte Salvador / Ilha de Itaparica, entre Gameleira, em Vera Cruz, e o bairro do Comércio, em Salvador. A licitação para a escolha do grupo que vai construir a ponte será lançada até o final do ano.
O deputado Luciano Ribeiro declarou-se “confuso” com o planejamento do governo, “que vem argumentando seguidamente falta de recursos públicos até mesmo para concluir obras iniciadas e hoje paralisadas, mas anuncia esta licitação. Já foram gastos R$ 90 milhões em nada”, informou o democrata, questionando se o planejamento estatal é “para confundir ou esclarecer?”. Para o petista Rosemberg Pinto, o governo está agindo certo e é preciso completar-se a fase licitatória do projeto, “ainda que a licitação dê vazia”. “Não custa nada ao governo”, adiantou , informando que “os recursos já estão comprometidos e o contrato feito”.
Também para Alex Lima (PTN) a licitação deve ocorrer, sim. A ponte, opinou, “vem para transformar o turismo na Ilha de Itaparica e reverter a situação de decadência em que ela se encontra”, além de “construir um corredor viário que vai ligar a Ilha até o Extremo Sul do Estado”. Por isso, o “governo está certo em tentar viabilizar” o projeto, disse. A promessa de campanha do governador Jaques Wagner (PT) em 2009 era de que a ponte, com 14 quilômetros de extensão, seria inaugurada até o final de dezembro de 2013. Lima entretanto alerta, que, naquela época, “o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil era crescente e hoje já se fala em PIB negativo”.
CRISE
Outro assunto que prendeu a atenção dos deputados foi a crise econômica que assola o país. Todos, oposição e governistas, admitiram que o Brasil enfrenta uma situação peculiar e inesperada. “Ninguém trabalhava com a possibilidade de as principais empresas da área de infraestrutura entrarem em crise”, declarou Rosemberg Pinto, a propósito das cobranças que vêm sendo feitas, sobretudo pelas bases dos parlamentares, em relação à paralisação de obras importantes, como a Ferrovia Oeste Leste, por exemplo.
Mas ele, assim como os demais deputados, defende a retomada das obras, ainda que lembrando as dificuldades de caixa que o governo do Estado enfrenta, ao lado do governo Federal. Apesar do quadro desfavorável, o petista alerta que trata-se de situação provisória e que o Brasil, conforme anunciado pela grande imprensa, “continua a ser uma grande oportunidade de investimento internacional”.
ESTRADAS
Outro assunto debatido ontem, por consenso entre os deputados membros da comissão, foram as estradas baianas. De forma geral reconhecem os avanços produzidos nos últimos oito anos, mas alertam que “muito há por se fazer”. Cada parlamentar tem uma demanda na região que representa e declara-se esperançoso quanto às garantias do governador Rui Costa de que não será possível a realização de projetos novos, mas que concluirá os já existentes, dentre eles a recuperação de estradas.
Quanto às ferrovias, no dia 16 de abril, a Comissão de Infraestrutura deverá realizar audiência pública, sugerida pelo deputado Alex Lima, para debater a proposta do governo Federal de desativação de trechos hoje em operação na Bahia. Segundo ele, apesar de compor a base governista, tem que declarar “a incoerência” desta decisão governamental. “Em 2014 foi transportado pelas ferrovias baianas 1,5 milhão de toneladas. Como dizer que elas são inviáveis? Como desativá-las?”, questionou o parlamentar.
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