Para além desse limitador, temos que levar em conta as conjunturas nacionais e internacionais, que sinalizam um ano muito difícil no que se refere a crescimento econômico e arrecadação orçamentária. Estamos enfrentando uma crise, que vem atingindo a economia mundial há tempos e que hoje bate à porta da realidade nacional, com claros reflexos em nosso Estado. Não quero aqui adentrar em uma análise do perfil dessa crise, mas – como economista que sou – quero registrar a sua importância e conclamar as forças políticas da nossa Bahia a participar do esforço nacional que deverá ser feito para superá-la, sem abrirmos mão de uma política de desenvolvimento inclusivo.
É necessário enfrentar todas as adversidades da atual conjuntura nacional
e mundial sem abrirmos mão de uma política de desenvolvimento inclusivo.
Temos consciência que é neste cenário de dificuldades que vou administrar o meu primeiro ano de governo. Isso nos obriga a ter mais criatividade, mais controle sobre os gastos públicos, trabalhar os recursos com maior parcimônia, aprimorar as formas de controle. Já conversei com o meu Secretariado e todos estão convencidos dos desafios que temos pela frente, inclusive no compromisso com a qualidade da gestão e com a redução da burocracia.
Afinal todos nós sabemos que o que se gasta com aquilo que não é prioritário vai fazer falta nos hospitais, nas escolas, na segurança, no apoio à agricultura baiana. Aproveito também para reafirmar aqui que quero construir um governo com transparência e ética. Vou estar atento e me posicionarei firmemente contra quaisquer atos que atentam contra os interesses públicos dos baianos ou atos de uso impróprio dos nossos recursos. Essa é uma convicção que trago comigo ao longo de minha trajetória de vida e por isso serei extremamente exigente com essa conduta de todos os envolvidos com o meu governo.
Por fim, quero concluir esta minha fala com uma convocação de esperança. Na última vez em que estive aqui, citei um pequeno poema sobre o sonho, o esforço de superação e a certeza de não se estar só na caminhada. Desta vez quero citar um pequeno trecho de um grande poema. Trata-se de um épico da nossa era, escrito por um negro do Caribe, Derek Walcott, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1992, por cantar as agruras e esperanças de sua gente. Ele nos interroga em seu “Omeros”: “Quem decreta uma grande época? Quem reparte os nossos empenhos, e para onde se volta nossa esperança? Onde, em que pedras da abadia, estão gravados nossos nomes? Quem investe em nossa felicidade?Quem vai nos ensinar uma história da qual também somos capazes?”
Este cenário de dificuldades nos obriga a ter mais criatividade, mais controle
sobre os gastos públicos, além trabalhar os recursos com maior parcimônia.
Fomos eleitos, tanto eu no Executivo, como os senhores e as senhoras parlamentares, para perseguir esses sonhos da gente da nossa terra. Buscar caminhos e encontrar soluções. Não vamos resolver todos os desafios, mas temos a necessidade de colocar essas perguntas também na esfera da política, enquanto construção de uma sociedade mais justa com a qual sonhamos. Os poetas têm essa grande qualidade de propor questões fundamentais aos alicerces do mundo. Nós, mesmo com todas as limitações próprias do nosso ofício da política, temos a responsabilidade de ajudar a construir respostas e oferecer as nossas contribuições concretas para isso. Essa é uma tarefa árdua e incessante. Tenho certeza que estamos todos preparados. Boa legislatura e mãos à obra.
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