A construção do memorial da Pedra de Xangô, no bairro de Cajazeiras, em Salvador, foi o pedido feito pelo deputado João Carlos Bacelar (PTN) ao governador Rui Costa, através de indicação apresentada na Assembleia Legislativa. No documento, Bacelar lembrou que, após a construção da Avenida Assis Valente, entre os bairros de Cajazeiras X e Fazenda Grande II, em 2005, a Pedra de Xangô, com seus 27 metros de diâmetro, ficou exposta a ação de vândalos, ocupação irregular e de atos de discriminação e intolerância religiosa.
“A Pedra de Xangô é um símbolo e um local sagrado para as religiões de matrizes africanas, um patrimônio material e imaterial, que representa o saber, a crença e a prática do culto ao orixá da Justiça e cotidianamente recebe oferendas e saudações dos adeptos do candomblé”, observou o parlamentar, ao justificar o pedido. Ele lembrou ainda que Xangô é o rei de todo o povo iorubá. “Orixá dos raios, trovões, grandes cargas elétricas e do fogo, é viril, atrevido, justiceiro, castiga os mentirosos, os ladrões e os malfeitores”, relatou Bacelar, explicando que ele é cultuado no Brasil, sob 12 significações, descritas pelo fotógrafo e etnólogo Pierre Verger detalhadamente em suas pesquisas.
De acordo com Bacelar, registros históricos mostram a utilização da Pedra de Xangô pelos índios tupinambás e negros escravizados, rebelados das senzalas, como passagem mística. “Segundo conta à história, quando eles passavam pela pedra em fuga, ninguém mais os encontravam”, observou ele.
No final da moção, João Carlos Bacelar acrescentou ainda que a Pedra de Xangô possui processo de tombamento tramitando na Fundação Gregório de Matos e no Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac). Sob o aspecto ambiental, continuou ele, a Pedra de Xangô preserva a existência de duas nascentes de água, que são vitais para proteção dos mananciais hídricos da cidade do Salvador.
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